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Produtores rurais relatam caos e calculam mais de R$ 6 bilhões em perdas

BRASÍLIA — A bancada ruralista se organizou para levar representantes do setor produtivo ao Salão Verde da Câmara e apresentar os prejuízos que a agricultura e a pecuária vêm somando desde o início da greve dos caminhoneiros. Segundo o superintendente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Bruno Luque, nos últimos nove dias só o setor de processamento primário já computou R$ 6,6 bilhões de perdas. O prejuízo, alertam, será pago pelos consumidores. Eles avisam que haverá falta de alimentos nos supermercados e alta dos preços dos produtos. Presente ao ato, o presidente da associação de transporte de Cargas NTC & Logística, José Hélio Fernandes, negou que os empresários dos transportes de cargas estejam por trás do protesto. Segundo ele, essa acusação é uma "injustiça".

Representantes de frigoríficos, de produção de suínos, de leite, soja e outros produtos se revezaram por mais de meia hora enumerando os problemas que têm enfrentado com a paralisação. Há relatos de caminhões incendiados por "bandidos que se infiltraram" no movimento dos caminhoneiros, que segundo eles querem voltar a trabalhar. A presidente da bancada ruralista, Tereza Cristina (DEM-MS), diz que chaves de caminhões estão sendo roubadas para que eles não voltem para as estradas. No interior do Mato Grosso do Sul, um produtor relatou ter visto gente cortando os trilhos da linha de trem com maçarico para que não chegue combustível ao estado.

— Não é mais o caminhoneiro que está fazendo isso. É o bandido. É um terrorismo. Querem fazer o quê? Botar fogo no país? Se ficar mais dois dias isso aí o Brasil vai pegar fogo. Quem quiser se manifestar espere quatro meses e se manifeste, e aí vamos ver se entra alguém que consiga resolver as coisas — disse o presidente da Associação Brasileira de Caminhoneiros (Abcam), José Fonseca Lopes.

De acordo com os dados informados pelos representantes, a produção de soja conta com prejuízos diários de R$ 400 mil por dia; no setor de leite, R$ 1 bilhão de prejuízo só com o descarte de leite. Estima-se que um milhão de aves estão morrendo todos os dias, e nos frigoríficos as perdas diárias são de R$ 500 milhões só por deixarem de abater os animais devido à impossibilidade de transportar a carne. A perda de arrecadação do governo chegaria só no setor frigorífico a R$ 100 milhões por dia.

Os produtores lembram que os prejuízos são repassados em cadeia para diversos setores até chegarem à mesa do consumidor. E contam que negócios estão sendo desfeitos, afetando as exportações brasileiras. Em nome do setor sucro-alcooleiro, uma representante disse que partir de hoje nenhuma usina de cana de açúcar funcionará no país.

O vice-presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal, Ricardo Santin, avisa que o prejuízo para cada brasileiro será de mais de 35%. Ele e vários que o seguiram na apresentação reclamam do governo, pontuando que o esforço despendido até agora não está sendo suficiente para barrar a ação em em curso.

— No interior há práticas terroristas que não deixam os caminhoneiros trabalhar. Hoje há bandidos infiltrados e não há prisões. Mais de um milhão de aves estão perecendo todos os dias. Está passando dos limites. Mais de 35% vai ser o prejuízo na mesa do consumidor. O mundo inteiro está nos procurando perguntando se vamos conseguir exportar — conta Santin.

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