BRASÍLIA — A saída de Pedro Parente da presidência da Petrobras jogou mais gasolina no debate sobre a política de preços da companhia no meio político. Mesmo integrantes da base aliada do governo Michel Temer se manifestaram a favor de alteração na metodologia que permite reajustes diários dos combustíveis. Presidenciáveis também manifestaram seu posicionamento sobre o tema.
O ex-ministro Ciro Gomes, pré-candidato do PDT, comemorou a demissão e defendeu uma mudança na política de preços da companhia.
— Mas não basta demitir o senhor Pedro Parente, é preciso exigir que a política de preços que ele impôs seja trocada. E ela não pode ser trocada por nada de demagogia. Apenas o seguinte, hoje estão transferindo o preço do barril de petróleo da especulação financeira para dentro do Brasil, quando o custo da Petrobras é muitas vezes menor do que o custo do petróleo lá fora. Trata-se na prática do seguinte, vão sobrar R$ 70 bilhões nesse período de apropriação. Nós vamos deixar que os acionistas minoritários, que são o setor financeiro estrangeiro e nacional se apropriar desses R$ 70 bilhões ou vamos, garantindo a saúde da Petrobras, repassar esses recursos para o interesse público? É disso que se trata — afirmou Ciro Gomes, em vídeo divulgado em suas redes sociais.
O presidente do PSDB e pré-candidato da sigla, Geraldo Alckimin, defendeu que a Petrobras tenha uma política de preço que “projeta os consumidores”. “Com a saída de Pedro Parente, o importante nesse momento é não desperdiçar o trabalho de recuperação da Petrobras. Precisamos definir uma política de preços de combustíveis que, preservando a empresa, proteja os consumidores”, escreveu o tucano no Twitter.
A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, afirmou que a saída de Parente não é suficiente. "Não basta trocar o entreguista Pedro Parente na presidência da Petrobras. Tem de mudar sua política de preços para os combustíveis e a ofensiva privatista na empresa e na entrega do pré-sal. Tem de recuperar a Petrobrás para o Brasil e para os brasileiros", escreveu Gleisi, em suas redes sociais.
Ex-ministro da Fazenda do governo Temer e pré-candidato ao Planalto, Henrique Meirelles disse que Parente deu uma importante contribuição ao país ao resgatar a Petrobras da situação de "quase destruição provocada pelo governo anterior".
— A companhia tinha perdido as condições de assumir o custo de absorver as eventuais diferenças entre um preço mais estável e previsível e o custo de produção que varia com o preço do petróleo. É preciso criar um fundo de estabilização que amorteça eventuais oscilações no preço do petróleo e seja fiscalmente neutro no longo prazo.
Manuela D'Avilla (PCdoB) e Guilherme Boulos (PSOL) comemoraram a demissão. "Tchau, querido", disse Manuela. E "Já vai tarde", criticou Boulos. Já Flávio Rocha (PRB) afirmou que Parente "repassou o alto custo da ineficiência e gerou a revolta dos caminhoneiros". João Amoêdo (Novo), por outro lado, disse que "a velha política afasta os bons profissionais".
A assessoria de Jair Bolsonaro (PSL) disse que ele não iria se manifestar. Marina Silva (Rede) ainda não respondeu.
A líder do MDB no Senado, Simone Tebet, afirmou que faltou “sensibilidade” a Parente e defendeu que a Petrobras tenha uma política de preços intermediária. “Nem tanto ao mar, nem tanto à terra: nem os preços subsidiados do passado, mas jamais a liberdade total de preço, sem sintonia com os números da economia - inflação e juros baixos, num período de recessão.”, afirmou Simone, em nota, na qual também defende um “gestor político” para a empresa.
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que é pré-candidato à Presidência, foi um dos poucos a lamentar a saída do executivo do comando da empresa.
— (Pedro Parente) tem muita credibilidade e estava fazendo um ótimo trabalho. (A situação é) ruim para o Brasil — disse Maia ao GLOBO.
Segundo Maia, a Petrobras só mantém a credibilidade se “colocar um quadro com a mesma qualidade de Pedro Parente”.
O presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), não mencionou diretamente Parente, mas afirmou que o presidente da estatal “precisa reunir visão empresarial, sensibilidade social e responsabilidade política”. Após o início da greve dos caminhoneiros, ele criticou reiteradamente a política de preços da estatal.

