BRASÍLIA - A realiza operação na manhã desta quinta-feira com objetivo de desarticular uma organização criminosa formada por empresários, políticos e agentes públicos responsáveis pela no Amapá. Segundo a PF, a quadrilha submetia trabalhadores a condições de trabalho análogas à de escravo.
Estão sendo cumpridos seis mandados de prisão preventiva, cinco de prisão temporária, oito de condução coercitiva (quando a pessoa é levada para prestar esclarecimentos) e 30 mandados de busca e apreensão nos estados do Amapá, Rio de Janeiro e São Paulo. Cerca de 180 policiais participam da ação. Mais de R$ 113 milhões em bens e imóveis foram bloqueados pela Justiça.
Segundo a PF, entre as empresas investigadas estão distribuidoras de títulos e valores mobiliários que atuam como intermediárias nos mercados financeiro e de capitais em todo país.
Os empresários utilizaram uma cooperativa de garimpeiros que se instalou na área do distrito de Lourenço, o mais velho garimpo em atividade do país. De acordo com as investigações, a organização criminosa aproveitava de políticas públicas que fomentavam a inclusão social de trabalhadores para atuar de forma clandestina na extração de ouro. Os danos ambientais são considerados incalculáveis.
Os investigadores suspeitam que o grupo criminoso, com a finalidade de aumentar a exploração, tenha incentivado o uso em escala indiscriminada de substâncias tóxicas e metais pesados, como mercúrio e, até mesmo, cianeto, uma substância cujo contato pode ocasionar a morte de uma pessoa. Segundo os policiais pode ter havido, pelo menos, 24 mortes, em sua maioria por soterramento, decorrentes de condições precárias de trabalho.
Os investigados responderão pelos crimes de redução à condição análoga a de escravo, corrupção passiva, prevaricação, usurpação de matéria prima da União, extração ilegal de substâncias minerais, lavra ou extração não autorizada, uso ilícito de mercúrio, crime contra a fauna aquática, posse de artefato explosivo, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
A operação foi batizada de Minamata, uma referência ao envenenamento de centenas de pessoas por mercúrio ocorrido no Japão, nas décadas de 50 e 60.

