BRASÍLIA — Preocupados com a falta de votos para aprovar a reforma da Previdência, aliados do presidente Michel Temer começaram a procurar culpados pela possível derrota na votação da proposta, se for mesmo a voto em fevereiro. Um dos escolhidos foi o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), que vem sendo criticado no Palácio do Planalto por sua "inércia" e falta de engajamento com o tema, uma das principais bandeiras dos tucanos.
A avaliação no governo é de que a campanha eleitoral já se sobrepôs aos esforços pela reforma. Mesmo assim, cobram mais ação do governador.
Uma das reclamações ouvidas no Palácio do Planalto é que Alckmin está silencioso sobre a Previdência há quase dois meses, já que sua última declaração pública sobre a reforma aconteceu em dezembro, quando disse que haveria punição aos tucanos que votassem contra a aprovação da proposta. Desde então, reclamam governistas, submergiu.
Ainda que Alckmin não tenha influência sobre parte da bancada na Câmara, os chamados cabeças pretas, ala mais jovem entre os parlamentares do partido e que resiste a apoiar o governo, interlocutores de Temer acreditam que, se o governador tucano estivesse defendendo de forma aguerrida a matéria, o clima na bancada seria outro, de menos divisão.
Uma teoria ouvida de assessores do presidente é que, com a possibilidade de o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficar fora do páreo eleitoral, Alckmin estaria evitando abordar a reforma numa tentativa de atrair votos de centro e centro-esquerda, especialmente com a preocupação entre tucanos com o fato de o governador não ter crescido nas pesquisas após a condenação de Lula.
Apesar dos afagos e tentativas de aproximação entre Temer e Alckmin, o grande aliado do presidente no partido é o senador Aécio Neves (MG), enfraquecido desde que se tornaram públicas as delações premiadas dos executivos do grupo J&F, o que fez com que o senador fosse afastado do mandato. Temer já se encontrou duas vezes com o tucano nos últimos dias, sendo uma delas nesta segunda-feira, mas Aécio não tem mais força na bancada para além dos parlamentares que já são aliados do governo.

