BRASÍLIA — O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, afirmou que as mudanças que parlamentares estão propondo na reforma da Previdência estão sendo analisadas pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, para mensurar o impacto que eventuais concessões teriam nas contas previdenciárias. Padilha não quis dizer quantos votos o governo calcula ter.
— Justamente por eu conhecer a casa é que não vou opinar quanto ao número de votos. Já há uma conscientização generalizada, as pessoas já sabem que precisa fazer a reforma da Previdência. Tem alguns parlamentares que têm explicações do porque não querem fazer agora. Temos que convencer a todos que é intransferível. O que tem que ficar claro é que não estamos fazendo a reforma da previdência em benefício do governo do presidente Michel Temer. O orçamento está em execução. As contas do exercício de 2018 já estão programadas, não terá mais nenhuma consequência. Portanto, estamos preocupados com o Brasil.
Ao ser indagado se o texto deveria ir a votação mesmo sem o apoio necessário, o chefe da Casa Civil desconversou e disse que sequer trabalha com esta possibilidade. A expectativa de Padilha é que na terça-feira o plenário da Câmara seja tomado pela discussão da previdência.
Representante do Executivo na abertura dos trabalhos legislativos, realizada nesta segunda-feira, Padilha elogiou o discurso do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) na cerimônia.
— O discurso do presidente Rodrigo Maia foi bastante ilustrativo quanto a isso (reforma da Previdência). É prioridade absoluta do governo. Segundo o presidente Rodrigo Maia, nós temos que colocar o déficit das contas do Estado em dia. Não podemos continuar com esse déficit crescente que estamos convivendo.
Logo após a sessão, o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, encontrou-se com o relator da reforma da Previdência na Câmara, deputado Arthur Maia (PPS-BA). O governo insiste que o deputado apresente o quanto antes o texto finalizado para que possa ser apresentado aos parlamentares, discutido e votado até o dia 20 de fevereiro.
— Nós, do governo, e o relator estamos muito afinados. Ele me disse uma coisa que ele tem razão. Me falou: 'Não precisamos de palpites, precisamos de propostas que nos ajudem a trazer votos'. Então vamos tentar trabalhar isso. E eu disse a ele que gostaríamos muito que até esta quarta-feira o texto estivesse finalizado. Mas o tempo é dele, não podemos pressionar — relatou Marun.
Caso a apresentação do texto fique apenas para depois do carnaval, o ministro afirma que não chegará a ser "uma frustração". E reforçou:
— Apresentarmos (o texto) só no início da discussão (às vésperas da votação) eu penso que pode fazer com que muito parlamentares comecem a discussão sem estarem suficientemente esclarecidos sobre o texto (...) e carnaval é carnaval. O ideal é que seja apresentado nesta semana. Salvo se o relator entender que não é possível. É uma decisão final dele. Assim como o processo. O processo é uma decisão aqui do parlamento.

