SÃO PAULO, SP, E RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O contrato futuro de maio do barril de petróleo WTI (West Texas Intermediate), referência nos Estados Unidos, colapsou nesta segunda-feira (20), seu último dia de negociação antes do vencimento. O ativo fechou em queda de 289,4% na Bolsa de Chicago, a menos US$ 37,63 (R$ 199,81) o barril. Essa é a primeira vez na história que o contrato tem um valor negativo. Na prática, os investidores que encerrarem o pregão com o papel em mãos receberão US$ 37,63 pelos produtores de petróleo por cada barril que receberem, conforme a quantidade determinada no contrato futuro. Como o contrato tem entrega imediata, investidores não querem a commodity em um cenário de queda de demanda pela pandemia da Covid-19 e falta de espaço nos estoques. Quando um contrato futuro expira, operadores precisam decidir se recebem a entrega de barris de petróleo ou rolam suas posições para um novo contrato futuro, como o de junho, por exemplo. Sem conseguir ir do contrato de maio para junho, investidores se desfazem do papel no seu último pregão de negociação a qualquer custo. Ninguém quer o petróleo na mão, o estoque americano está no máximo do máximo. Para quem tem como estocar, vale a pena comprar, mas ninguém sabe por quanto tempo terá que guardar o óleo, afirma Alexandre Cabral, professor do Ibmec. Cabral aponta que também contribuíram para a pressão vendedora os mecanismos de stop loss (interrupção de perdas, em inglês). Eles são vendas automáticas de fundos de investimento quando determinado ativo atinge o limite de perda aceitável pelo fundo, conforme política previsamente definida. Para não ter mais prejuízo, o fundo se desfaz de todos os papéis do ativo, independente do preço. Com grandes ordens de venda, o preço cai ainda mais. Os contratos futuros de petróleo são derivativos, ou seja, especulam sobre o preço futuro de determinado ativo. Há contratos futuros para todas as commodities e sua negociação é uma aposta de investidores na alta ou na baixa dos preços. O contrato de WTI com vencimento em junho teve uma queda menos expressiva, de 18,4%, a US$ 20,43. Já o contrato do barril de petróleo Brent de junho, negociado na Bolsa de Londres e referência internacional, caiu 8,9%, a US$ 25,57, menor valor desde 1º de abril. O contrato do Brent e maio venceu em 31 de março. Investidores esperam que, em um mês, o cenário para o óleo esteja mais favorável, com a retomada econômica pós-quarentenas, e acordos dos países produtores de petróleo para cortes na produção, de modo a elevar o preço. Neste ano, o petróleo sofre uma forte desvalorização de cerca de 60%, com a guerra de preços entre Rússia e Arábia Saudita e a desaceleração econômica devido a medidas de combate ao coronavírus. Além disso, o acordo da Opep+, (Organização dos Países Exportadores de Petróleo e demais produtores, como Rússia), para reduzir a produção do óleo de modo a elevar o preço foi considerada insuficiente pelo mercado. Conforme o uso do petróleo cai, o armazenamento sobe. No centro de entregas de Cushing, em Oklahoma, estão estocados 55 milhões de barris, perto da capacidade máxima de 76 milhões de barris. O petróleo armazenado em navios flutuantes também está em nível recorde, com estimados 160 milhões de barris. A forte queda da commodity derrubou as principais Bolsas globais. Nos EUA, Dow Jones caiu 2,4%, S&P 500, 1,5% e Nasdaq, 1%. No Brasil, o Ibovespa fechou estável, a 78972 pontos. As ações preferenciais (mais negociadas) da Petrobras caíram 1%, a R$ 15,95, enquanto as ordinárias (com direito a voto) tiveram queda de 0,9%, a R$ 16,55. Já o dólar comercial fechou em alta de 1,3%, a R$ 5,3090, maior valor desde 3 de abril, quando a divisa foi ao recorde de R$ 5,3270. Na máxima da sessão, o dólar foi a R$ 5,3210. O turismo está a R$ 5,56 na venda. Além da turbulência do mercado financeiro internacional, a moeda reflete a tensão política brasileira, após líderes do Legislativo e Judiciário repudiaram a participação do presidente Jair Bolsonaro de um ato pró-golpe no domingo (19).
