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Onda de “fake news” mudou a forma de consumir notícias online, diz Kantar

SÃO PAULO. A onda de "fake news" (notícias inventadas, muitas vezes creditadas a veículos de comunicação) que invadiu as plataforma digitais nos últimos anos mudou a atitude das pessoas que buscam notícias sobre política na internet. Pesquisa da consultora Kantar, realizada em quatro países (Brasil, Inglaterra, França e Estados Unidos), mostra que as redes sociais foram as plataformas de informação que mais perderam credibilidade com esse movimento: 58% das 8.000 pessoas entrevistadas na pesquisa disseram que passaram a confiar menos nas informações acessadas nas redes.

Os aplicativos de mensagens também perderam espaço na confiança dos usuários: 57% se disseram menos confiantes nesse meios.

Em compensação, a reputação dos chamados "veículos consolidados" -- jornais, revistas e canais de TV e rádio -- mostrou-se mais resistente que a das plataformas digitais e de notícias exclusivamente online.

De acordo com o estudo, chamado “Trust in News“ (Confiança na Notícia), 77% dos consumidores de notícias em meios digitais disseram agora confiar "igual" ou "mais" nos jornais impressos e nas revistas. Em relação aos canais de TV que transmitem notícias 24 horas, esse índice chega a 78%.

"O resultado final para as mídias impressas é que mais de três quartos dos consumidores de notícias confiam nelas 'igual’ ou 'mais' que antes do fenômeno de 'fake news'", diz o estudo da Kantar.

Outra constatação do estudo da Kantar foi que as audiências estão se tonando mais “informadas e sofisticadas” em seu envolvimento e avaliação do noticiário: 39% das pessoas disseram que hoje acessam mais fontes de notícias que há um ano; e 73% que consideram o jornalismo fundamental para a democracia.

Entre os brasileiros, ainda, 76% dos entrevistados disseram que sempre, ou quase sempre, preocupam-se em identificar a fonte das informações que acessam, o maior índice entre os quatro países pesquisados.

Outro ponto em que o Brasil destacou-se foi no número de pessoas que pagaram por notícias on-line no último ano: 42% dos entrevistados, contra 25% na França, 20% no reino Unido e 29% nos Estados Unidos.

"Os hábitos de consumo de mídia das novas audiências seriam inimagináveis há dez anos, e sem dúvida nos próximos dez anos serão ainda mais diferentes. Confiança, contudo, é algo que certamente vai perdurar, um fator transcendente a diferenciar as organizações de notícias (veículos) independentemente de plataforma ou dispositivo móvel", diz o estudo da Kantar, acrescentando: "Esse é o relacionamento duradouro que os editores devem procurar preservar ao enfrentar ameaças como as 'fake news', encontrando novos métodos de engajamento a fim de levar conteúdo às novas audiências".

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