RIO - O economista-chefe do Banco Mundial, Paul Romer, negou nesta terça-feira a existência de manipulação política no relatório Doing Business, estudo que avalia o ambiente de negócios em quase 200 países. Na semana passada, reportagem do jornal americano “Wall Street Journal” revelou, com base em uma entrevista com Romer, que a instituição fez alterações metodológicas, “potencialmente motivadas por questões políticas”, que interferiram no resultado, afetando principalmente o Chile. Em seu blog, o economista afirmou que suas declarações foram mal interpretadas.
“Em uma conversa com um repórter, fiz comentários sobre o relatório Doing Business que deram a impressão de que eu suspeitava de manipulação política ou com viés. Não foi isso que quis dizer ou pensei ter dito. Não vi nenhum sinal de manipulação nos números publicados no Doing Business nem em qualquer outro relatório do banco”, escreveu Romer em seu blog.
As alterações no estudo fizeram o Chile perder quatro posições no ranking e provocaram reações, inclusive da presidente chilena Michele Bachelet, que cobrou explicações ao Banco Mundial por meio de redes sociais.
A reportagem do “WSJ” destaca que, desde a entrada de Michele Bachelet no governo, em 2014, novos componentes foram adicionados ao estudo, que acabaram afetando o desempenho do Chile no ranking. Em 2015, por exemplo, o país estava na 33ª colocação na categoria “facilidade de pagamento de impostos”. Em 2016, novas métricas foram adicionadas, que fizeram o país cair para a 120ª posição no quesito. Na publicação, Romer admite que não viu mudanças no cenário econômico que justificassem oscilações desse tipo: “Com base nos elementos que medíamos antes, as condições de negócios não pioraram no Chile sob o governo Bachelet”, afirmou, segundo o periódico.
No texto publicado nesta terça, ele afirmou que sua intenção não era a de levantar suspeitas sobre a integridade do estudo, mas de destacar que o Banco Mundial poderia fazer um trabalho melhor na hora de explicar os dados divulgados.
“O que eu queria dizer é algo que muitos de nós no banco acreditamos, que podemos fazer um trabalho melhor explicando o que nossos números significam. Na produção do Doing Business, mudamos nossos métodos por razões consistentes. Essas alterações foram cuidadosamente consideradas. Mas quando as implementamos, poderíamos ter explicado mais claramente por que, por exemplo, o Chile caiu no ranking”, acrescentou Romer.
Ele lembrou ainda que o relatório de 2018 está mais fácil de ser compreendido, por ter a metodologia igual à do ano anterior.

