CAMPOS DO JORDÃO — O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, voltou a afirmar neste sábado que a economia brasileira já está em processo de recuperação, mas o movimento da retomada é lento devido à profundidade e extensão da recessão econômica. Acrescentou ainda que a reforma da Previdência, que, segundo ele, segue com chances reais de ser aprovada, irá ajudar no crescimento da economia
— A demora na recuperação econômica é porque tivemos um processo de recessão mais longo e mais profundo de toda a história. Os efeitos disso na economia são enormes, diferente da recessão de 2008. Foi uma crise de crédito importada que, quando terminou, as empresas estavam intactas e era possível retomar rapidamente. Agora, estamos em um processo de reconstrução da economia — disse durante participação no Congresso Internacional dos Mercados Financeiros da B3.
Entre os sinais de retomada, citou a fabricação de eletroeletrônicos, leve recuo da taxa de desemprego e a queda dos juros e da inflação, que, em um primeiro momento, permitem a volta do consumo e, ainda em menor grau, do investimento. Meirelles espera um crescimento de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2017, mas que, no quarto trimestre, o crescimento estará, de forma anualizada, em 3,2% na comparação com o trimestre anterior.
— Em resumo, estaremos entrando em 2018 com um ritmo de crescimento forte e com um carregamento estatístico (para o PIB anual) forte — avaliou.
Mas apesar dos sinais de retomada, o ministro defende que a reforma da Previdência segue sendo necessária. Os gastos com aposentadorias do setor público e privado, segundo ele, representam hoje 50,4% do PIB. No entanto, até 2016, isso irá representar 71,6%, sobrando menos recursos para as outras atividades do governo.
— Se não houver reforma da Previdência, esses gastos vão ocupar ainda mais espaço do orçamento. O que falamos aos parlamentares é que a aprovação da reforma é de interesse do país, dos eleitores e dos parlamentares. Sem ela, teremos cada vez mais uma inviabilização do trabalho parlamentar — explicou.
Apesar da proposta encontrar resistência, Meirelles acredita que há chances reais de aprovação das mudanças nas regras de aposentadoria e lembrou que outras reformas, como a trabalhista e a implementação do teto de gastos, também eram vistas como projetos de difícil aprovação, mas que o governo garantiu os votos necessários no Congresso Nacional.
— Eu acho que tudo é uma questão de debate e, ao contrário do que parece, eu acho que há chances de aprovação da Reforma da Previdência são reais — afirmou.
Meirelles lembrou ainda que a reforma tributária está em fase inicial e que o objetivo é que ela tenha um efeito neutro na carga de tributos, mas que seja um sistema mais racional. Afirmou ainda que as privatizações anunciadas nesta semana são fruto de um trabalho de discussão de diferentes ministérios:
— É um programa sólido, bem estruturado, que contou com a participação dos técnicos de diferentes ministérios. A ideia é de fato entrar em um ritmo acelerado.
Nessa semana, o governo anunciou a intenção de vender 57 empresas públicas, entre elas a Eletrobras, aeroportos e a Casa da Moeda.
*a repórter viajou a convite da B3

