SÃO PAULO — O ex-presidente dos EUA, Barack Obama, tocou em temas espinhosos e importantes como aquecimento global, imigração, educação, Coreia do Norte, globalização e educação, mas sua apresentação também teve momentos de bom humor, que arrancaram gargalhadas das mais de mil pessoas que lotaram o Teatro Santander, em São Paulo. Perguntado pelo diretor executivo da Divisão de Publicação do Grupo Globo, Frederic Kachar, sobre as principais conquistas e arrependimentos em seus dois mandatos à frente dos Estados Unidos, o ex-presidente respondeu:
— Bom, eu me arrependo de nunca ter tingido os cabelos antes. Acho que agora é tarde para isso - disse Obama levando a plateia ao riso, para depois afirmar que seu maior arrependimento foi não ter conseguido unir as diferenças que estavam emergindo na política americana, depois da crise de 2008, porque as pessoas estavam muito assustadas. Seus maiores orgulhos, disse, foram a criação do Obama Care, sistema que ampliou o acesso de muitos cidadãos americanos à cobertura de saúde no país, e o acordo nuclear com o Irã.
Em tom descontraído, Obama lembrou de sua primeira visita ao Brasil em 2011, quando levou as filhas e a mulher Michele Obama para visitar o Cristo Redentor e conhecer a Cidade de Deus, no Rio de Janeiro. Também revelou que suas filhas, Malia e Sasha, passam atualmente muito tempo teclando nos celulares.
— Eu pergunto, por que vocês não se encontram pessoalmente com seus amigos? A experiência do contato pessoal vale muito mais que um texto — afirmou.
Obama voltou a arrancar risos da plateia quando falou sobre as notícias falsas nas eleições dos EUA e a cobertura que alguns veículos de imprensa fizeram de sua campanha.
— Quando alguém que já não gostava da Hillary Clinton lia um rumor ou boato sobre ela, colocava isso em sua página do Facebook. E isso seria lido por outras pessoas. Acho que um dos desafios que teremos será encontrar formas de unir as pessoas, não para que concordem em tudo mas, sim, sobre qual é o problema. Se eu assistisse à Fox News, não votaria em mim mesmo... porque não me reconheço (ali) - disse.
Obama mostrou que ainda esbanja carisma e conseguiu juntar na plateia gente tão diferente quanto o ex-jogador Ronaldo Fenômeno; os apresentadores Maria Julia Coutinho, a Maju, e Luciano Hulk; empresários como Flavio Rocha, dono da Richuelo, e Sidney Oliveira, da Ultrafarma, além de políticos como Gabriel Chalita e o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa..
— Obama foi o presidente mais estatizante dos EUA nos últimos anos e degradou o ambiente de negócios. Mas é sempre digno de ser ouvido, porque fez uma política de inclusão, fala para todos e é um grande orador - afirmou Flavio Rocha.
Também estavam na plateia jovens líderes, com quem Obama vai se encontrar na tarde desta quinta feira, no Hotel Hylton, onde ficou hospedado. Entre esses jovens líderes, estava Tábata Amaral, uma jovem que veio da periferia de São Paulo e através de bolsas de estudos se formou em Harvard. Ela é cofundadora do Movimento Acredito e do Mapa Educação, um projeto que pretende mapear os problemas da educação no país.
— A ideia é que a educação seja uma prioridade entre os governantes, assim como pensa o ex-presidente Barack Obama. Estou muito feliz de encontrá-lo e ao mesmo tempo nervosa - afirmou.

