BRASÍLIA — Depois de admitir que o governo condiciona financiamentos da Caixa nos estados a votos pela reforma da Previdência, o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, rebateu críticas de governadores do Nordeste, que protestaram contra a fala. Nesta quinta-feira, Marun negou ter atrelado financiamentos ao apoio à reforma, mas disse que espera "responsabilidade" de quem recebe essas verbas e atacou busca de "resultados eleitorais". Um dia antes, sete governadores atacaram duramente declarações do ministro e falaram em "ditaduras cruéis".
"Desafio qualquer um a destacar o trecho em que afirmo que financiamentos estão condicionados a apoio a necessária Reforma da Previdência", disse Marun em nota. Contudo, há dois dias ele havia dito no Palácio do Planalto:
— Financiamentos da Caixa Econômica Federal são ações de governo, o governador poderia tomar esse financiamento no Bradesco, não sei aonde. Obviamente, se são na Caixa, no Banco do Brasil ou no BNDES, são ações de governo. Nesse sentido, entendemos que deve sim ser discutida com esses governantes alguma reciprocidade no sentido de que seja aprovada a reforma da Previdência, que é uma questão que entendemos hoje de vida ou morte para o Brasil.
A despeito de negar que tenha condicionado financiamentos a votos para a reforma da Previdência, Marun prometeu diálogo "especial" com estados beneficiados pelo governo, com vistas a buscar apoio para a reforma. Ainda, ele cobra "responsabilidade" desses beneficiados.
"Vou dialogar de forma especial com aqueles que estão sendo beneficiados por ações do governo, pleiteando o seu envolvimento no esforço que estamos fazendo para realizar as reformas que o Brasil necessita", diz, emendando: "espero que todos os agentes públicos tenham a responsabilidade de contribuir neste momento histórico da vida da Nação".
O ministro, no comunicado desta quinta-feira, também atacou busca de "resultados eleitorais". Segundo ele, a reação à sua declaração foi de quem comete suposta omissão da participação do governo na negociação para financiamentos estatais.
"A reação daqueles que querem continuar omitindo a participação do Governo Federal nas ações resultantes de financiamentos obtidos junto aos bancos públicos só se justifica pela intenção de buscar resultados eleitorais exclusivamente para si. Estes defendem a equivocada tese de que quem recebe financiamentos pratica ações de Governo e que quem os concede, não", continua o ministro da articulação política.
Nesta quarta-feira, sete governadores do Nordeste — todos, à exceção de Sergipe e Rio Grande do Norte — divulgaram nota protestando contra a fala do ministro. “Vivemos em uma Federação, cláusula pétrea da Constituição, não se admitindo atos arbitrários para extrair alinhamentos políticos, algo possível somente na vigência de ditaduras cruéis. Esperamos que o presidente Michel Temer reoriente os seus auxiliares, a fim de coibir práticas inconstitucionais e criminosas”, diz o comunicado. O governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB), ameaçou acionar o Supremo Tribunal Federal (STF).

