O membro do Banco Central Europeu (BCE) e presidente do Banco Central da Irlanda, Gabriel Makhlouf, disse que o argumento para que o BCE espere até ter mais certeza sobre as perspectivas é forte diante do contexto do conflito no Oriente Médio.
Em comentários para o blog do BC da Irlanda nesta sexta-feira, 20, o dirigente pontuou que, na situação atual, os riscos para a inflação claramente aumentaram, especialmente no curto prazo, enquanto há riscos de baixa para o crescimento.
"Embora a política monetária não possa impedir que o choque energético impacte os preços, ela pode garantir que qualquer mudança seja um ajuste pontual no custo de vida. Estamos determinados a atingir nossa meta de 2% no médio prazo", disse.
Para a Bloomberg , Makhlouf disse que a guerra no Irã não mudou fundamentalmente a visão dele sobre a economia irlandesa. "Mas eu esperaria algumas pequenas mudanças", disse, citando que a economia da Irlanda está em uma posição melhor do que pares europeus para fazer frente ao impacto do conflito, já que a guerra começou quando o país estava em uma base mais forte.
Ainda no blog, Makhlouf afirmou que o conflito altera tanto a oferta quanto a demanda.
Do lado da oferta, isso pressiona rapidamente os preços da energia para cima, aumentando o risco de a inflação geral voltar a ultrapassar a meta mais rapidamente e com mais força do que o esperado. Setores em que a energia é um insumo significativo - como fertilizantes na produção de alimentos - também devem sofrer um surto de inflação de custos, ou seja, quando os produtores são pressionados a aumentar os preços de seus produtos porque os custos de seus insumos aumentaram.
Na demanda, o impacto se dá por meio de seus efeitos sobre a renda real, o investimento, a confiança, as condições financeiras e o comércio global. "Essa dinâmica se desenvolve mais lentamente do que o choque inicial nos preços da energia e cria um obstáculo ao crescimento que, com o tempo, pode reduzir a inflação", notou.
Embora não seja possível, neste momento, precisar a magnitude do impacto, o dirigente citou que as projeções de março apontam para aumentos de 18% (petróleo) e 28% (gás) em 2026, seguidos por uma queda gradual em 2027.
"Mas existe muita incerteza em torno dessa perspectiva", observou.

