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Lula pede que Campos Neto 'colabore' e reduza taxa de juros, ao falar da reconstrução do RS

Por Folha de São Paulo

29/05/2024 13h08 — em
Economia



BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a criticar a taxa básica de juros nesta quarta-feira (29) e pediu uma colaboração do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, para que ela possa ser reduzida nas próximas reuniões do Copom (Comitê de Política Monetária).

Lula pediu também que empresários deem desconto para aquisição de eletrodomésticos da linha branca no estado atingido pelas enchentes.

As falas do presidente aconteceram durante evento de anúncio de medidas para a reconstrução do Rio Grande do Sul. Uma das iniciativas prevê uma linha de crédito do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), banco público que reduziu ainda mais a sua própria taxa de juros.

"Eu espero que o presidente do Banco Central [Roberto Campos Neto] veja a nossa disposição de reduzir a taxa de juro. E ele, quem sabe, colabore conosco reduzindo a taxa Selic para a gente poder emprestar a [uma] taxa de juro mais barata", afirmou o presidente.

Lula também pediu a empresários um desconto na venda de eletrodomésticos da linha branca, como geladeira e fogão, para famílias do Rio Grande do Sul.

"Já pedi para o [Geraldo] Alckmin conversar com companheiros que fabricam linha branca para levar em conta que vamos ter que oferecer produtos da mesma qualidade, mas mais barato, que o setor precisa dar contribuição como aconteceu com o setor da carne", disse.

Grandes empresas de proteína animal se reuniram com o presidente nesta semana para anunciar a doação de 2.000 toneladas de carne para cozinhas solidárias e abrigos no Rio Grande do Sul. A iniciativa partiu do presidente que, assim como agora, fez o pedido aos executivos.

Além de vice-presidente, Alckmin é ministro da Indústria, e mantém diálogo com o setor de eletrodomésticos. No ano passado, Lula já havia tentado baratear os itens da linha branca, sem sucesso.

Depois do evento, a secretária-executiva da Casa Civil, Miriam Belchior, disse que está em estudo a possibilidade de desconto de 15% para os itens. Segundo ela, o tema já foi discutido pelo vice-presidente com empresários do setor.

Inicialmente, antes de lançar o auxílio reconstrução de R$ 5.100, o governo cogitou comprar itens e doar para a população, mas abandonou a ideia pela logística. "O que está se articulando agora é ver como é que a oferta desses produtos lá no comércio do Rio Grande do Sul possa contar com um desconto de 15% que foi o que originalmente o setor tinha discutido com o vice-presidente", afirmou Miriam.

A menção de Lula a Roberto Campos Neto não é nova. Ele vem mantendo crítica ao dirigente da entidade desde o início de sua gestão.

Houve um momento de trégua, em que o presidente da instituição se encontrou com Lula no Planalto e chegou a participar da confraternização de fim de ano do governo, na Granja do Torto.

A taxa de juros vem mantendo uma trajetória descendente, mas o último corte promovido foi menor do que os anteriores, de 0,25 ponto percentual. A decisão expôs uma divisão dentro do Copom, com os indicados por Lula defendendo uma redução maior.

No dia 8 de maio, com essa redução menor, a taxa básica de juros caiu para 10,50% ao ano. Foi a primeira redução de 0,25 ponto percentual na taxa, após seis quedas consecutivas de 0,50 ponto percentual.

O presidente do BC e outros quatro diretores votaram pelo corte menor. Os quatro indicados pelo governo Lula votaram por uma redução de 0,50 ponto. Entre eles, o diretor Gabriel Galípolo, cotado para ser o próximo presidente da instituição.

A decisão provocou a reação de aliados do Lula e integrantes do seu governo, que desejavam um corte maior para não travar o crescimento da economia. Após a decisão do comitê, no início do mês, o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou em rede social que o governo Lula vem "fazendo o dever de casa" e que o atual patamar de juros é um freio ao desenvolvimento do país.

"A redução de 0,25 ponto na Selic é um sinal importante de confiança no governo, mas o ritmo da queda precisa ser maior, sem hesitações. O Brasil precisa retomar a normalidade monetária, com juros condizentes com as necessidades do país e a responsabilidade do governo", disse Alckmin.


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