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J&F levará até dois anos para resolver venda da Eldorado

SÃO PAULO - O negócio bilionário que envolve a venda do controle da Eldorado, empresa de celulose do grupo J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, para a holandesa Paper Excellence, pode levar até dois anos para ser finalizado - ou nem ser concluído.

Nesta terça-feira, a Eldorado informou ao mercado que o contrato de venda foi extinto na última segunda-feira, quando expirou o prazo de doze meses para que o negócio de R$ 15 bilhões fosse fechado entre os dois grupos.

Na prática, a J&F não se sente mais obrigada a vender os 50,59% da empresa aos holandeses, depois que as duas companhias se desentenderam na reta final das negociações. Mas a decisão final caberá a uma câmara de arbitragem, uma espécie de tribunal privado para solucionar conflitos sobre questões contratuais.

A arbitragem tem 30 dias para começar os trabalhos. O primeiro passo será a indicação de três árbitros, processo que em geral leva entre três e quatro meses. O julgamento em si pode demorar até dois anos. Enquanto a decisão da Câmara não sai, a J&F e a Paper Excellence não podem vender as ações que têm da Eldorado.

O impasse entre as duas partes aconteceu por questões relativas à liberação das garantias dadas pela J&F às dívidas de R$ 7 bilhões da Eldorado. A J&F afirma que a Paper Excellence não conseguiu liberar as garantias junto aos bancos credores, como teria sido combinado. Os holandeses propuseram injetar dinheiro na Eldorado para que a própria empresa quitasse as dívidas, mas a J&F não concordou. Procuradas, J&F e Paper Excellence não quiseram comentar o assunto.

A Paper Excellence já havia desembolsado R$ 3,8 bilhões por 49,4% da empresa de celulose e pagaria mais R$ 4 bilhões pelo restante das ações, além de assumir as dívidas. Segundo um analista de mercado, que preferiu não se identificar, a Eldorado se valorizou desde setembro de 2017, com o avanço do preço da celulose no mercado internacional e a alta do dólar. Com isso, seu valor seria de pelo menos R$ 10 bilhões a mais.

- Como o negócio não foi concluído, a J&F poderia vender o restante das ações por um valor mais alto.

Os recursos obtidos com a venda da Eldorado seriam usados para abater dívidas da J&F, que enfrentou grave crise por conta das investigações de corrupção na empresa. Os irmãos Batista chegaram a ser presos. Joesley foi autor de delação que incluiu denúncias contra o presidente Michel Temer. Para reequilibrar as contas, a J&F vendeu empresas como Alpargatas e Vigor.

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