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Indústrias da União Europeia pedem ratificação de acordo do bloco com Mercosul

RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS) - Associações europeias de diversos setores industriais assinaram carta pedindo a ratificação do acordo entre Mercosul e União Europeia. O acordo de livre-comércio entre os dois blocos foi selado em junho de 2019 após 19 anos de negociações.

No documento, divulgado nesta segunda-feira (28), as associações apresentam argumentos para o que tem sido um dos principais entraves para a ratificação: a questão ambiental.

Entre os 13 signatários estão Business Europe, Clepa (Associação Europeia de Fornecedores Automotivos), CEC (Confederação Europeia de Calçados) e Orgalim (Indústrias de Tecnologia da Europa).

Segundo a carta, não concluir o acordo faria com que os países do Mercosul "continuassem negociando, ou até expandissem suas negociações, com outros parceiros que têm parâmetros laborais e ambientais substancialmente menores".

Os grupos de empresas defendem que o acordo inclui compromissos sobre questões ambientais e de trabalho das duas partes e mecanismos de inclusão da sociedade civil, além de contar com a expertise de organismos internacionais.

"Em caso de desrespeito a qualquer dessas disposições, um mecanismo automático vai disparar consultas formais aos governos", diz a carta.

Os signatários defendem que o acordo conta com disposições que "vão ajudar a mitigar a mudança climática e compelir os dois lados a efetivamente implementar o Acordo de Paris".

Entre os outros argumentos, destacam-se aqueles sobre o impacto econômico do acordo e a recuperação pós-pandemia.

"O acordo vai desbloquear o crescimento e ajudar as duas regiões a se recuperarem da atual crise econômica e de saúde pública, investir na transição verde e diversificar cadeias de abastecimento globais e nossa principal base de mercado", diz a carta.

O documento afirma que, em 2019, a União Europeia exportou, em bens, EUR 41,2 bilhões, enquanto a exportação de serviços foi de EUR 21,1 bilhões. Seriam 290 mil os empregos criados no Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai graças a empresas sediadas no bloco europeu.

Em outubro do ano passado, eurodeputados aprovaram texto simbólico em que se lê que o acordo entre União Europeia e Mercosul não poderia ser ratificado como estava.

O texto enviado para votação incluía ainda uma menção ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), proposta pela eurodeputada francesa de centro Marie-Pierre Vedrenn.

O Parlamento estaria "extremamente preocupado com a política ambiental de Jair Bolsonaro, que vai contra os compromissos do Acordo de Paris, em particular no combate ao aquecimento global e à proteção à biodiversidade". O trecho foi retirado na versão final.

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