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Incerteza paira sobre decisão do Fed enquanto Warsh mantém suas intenções em sigilo

Reuters
Incerteza paira sobre decisão do Fed enquanto Warsh mantém suas intenções em sigilo
Incerteza paira sobre decisão do Fed enquanto Warsh mantém suas intenções em sigilo

Por Ann Saphir e Michael S. Derby

WASHINGTON, 29 Jul (Reuters) - A expectativa é de que Federal Reserve mantenha a taxa de juros nesta quarta-feira mesmo com um número crescente de autoridades manifestando abertamente sua preocupação com a inflação, mas o desfecho é excepcionalmente incerto devido ao regime de não divulgação de orientação futura adotado pelo chair Kevin Warsh.

No fim das contas, com seus 18 colegas no Fed divididos igualmente na última reunião sobre a possibilidade de aumentar os juros este ano, caberá a Warsh influenciar o resultado na direção que ele desejar.

Também é incerto se ele manterá sua política de fornecer poucas explicações e nenhuma orientação futura após a decisão de política monetária, o que provavelmente gerará dissidências de qualquer maneira.

O banco central dos EUA anunciará sua decisão às 15h (horário de Brasília), e Warsh dará uma coletiva de imprensa meia hora depois.

Warsh, que assumiu o comando do banco central em maio, afirmou não ter “nenhuma tolerância” à inflação, que vem se mantendo acima da meta de 2% do Fed há mais de cinco anos e, até o mês passado, vinha acelerando uma vez que a guerra liderada pelos EUA contra o Irã elevou os preços globais de combustíveis e alimentos e os investimentos em centros de dados e outros gastos ligados à inteligência artificial impulsionaram a demanda.

Ao mesmo tempo, Warsh obteve o apoio de todos os seus colegas na reunião de 16 e 17 de junho para manter a taxa básica de juros do Fed na faixa de 3,50% a 3,75%.

As pressões sobre os preços, no entanto, diminuíram desde que as autoridades do Fed se reuniram no mês passado. A inflação dos preços ao consumidor desacelerou para 3,5% em junho na base anual, ante 4,2% em maio, e os preços do petróleo caíram nesta semana devido às expectativas de um novo cessar-fogo entre os EUA e o Irã.

“Acreditamos que o Fed provavelmente não aumentará os juros. Seria estranho fazer isso logo após os dados melhores de inflação de junho, considerando que o caminho para um aumento em setembro, se necessário, está desimpedido”, disse Krishna Guha, vice-presidente da Evercore ISI. “Mas não podemos considerar a probabilidade muito baixa, dada a recusa de Warsh em revelar sua estratégia ... Não vemos uma pressão generalizada sobre o comitê para aumentar os juros agora. Mas os votos estão lá, caso Warsh queira seguir em frente.”

As presidentes do Fed de Dallas, Lorie Logan, e do Fed de Cleveland, Beth Hammack, indicaram apoio a juros mais altos para colocar a inflação de volta na trajetória rumo à meta de 2%. Economistas esperam que pelo menos uma delas discorde caso a maioria decida pela manutenção.

Os mercados financeiros estão precificando uma chance de cerca de uma em três de um aumento de 0,25 ponto percentual. Alguns economistas afirmam que Warsh faria bem em apresentar essa surpresa na reunião desta semana.

“É melhor fazer um pouco agora do que muito mais tarde”, escreveu Neil Dutta, chefe de economia da Renaissance Macro Research, em uma nota.

O Fed, sob o comando do antecessor de Warsh, Jerome Powell, reduziu os juros três vezes em 2025 para conter o que a maioria das autoridades considerava um enfraquecimento do mercado de trabalho — que, desde então, se estabilizou. A inflação, que parecia estar se moderando no ano passado, inverteu o curso em 2026, apesar dos dados mais favoráveis registrados em junho.

“Se no ano passado o objetivo era garantir alguma proteção, este ano é hora de devolver parte dela”, disse Dutta.

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