SÃO PAULO - Os mercados globais amargam um novo pregão de desvalorização, ampliando ainda mais as perdas dessa semana - e deixando o Ibovespa também em terreno negativo. O principal índice de ações local registra queda de 2,03%, aos 79.875 pontos, se distanciando dos patamares recordes. Já o dólar comercial avança 0,88% ante o real, cotado a R$ 3,3102.
Vitor Suzaki, analista da Lerosa Investimentos, lembrou que a forte volatilidade dos últimos dias faz com que os investidores evitem assumir novas posições às vésperas do feriado de Carnaval. Os negócios na Bolsa brasileira serão retomados apenas na quarta-feira, a partir das 13h.
— O Ibovespa se ajusta às perdas de ontem de Nova York, já que quando a situação se agravou por lá a Bolsa aqui já estava fechada. Os investidores adotam uma postura de cautela por conta do Carnaval. É um feriado longo e, considerando a volatilidade dos últimos dias, ninguém quer estar posicionado neste momento — avaliou .
Essa pode ser a pior semana para os mercados globais desde a crise financeira de 2008. O Dow Jones registra queda de 1,80% e o S&P 500, de 1,25% - ontem, recuaram, respectivamente, 4,15% e 3,75%. Na Europa, o pregão também foi de queda. O DAX, de Frankfurt, caiu 1,25%, e o CAC 40, da Bolsa de Paris, recua 1,40%. Já o FTSE 100, de Londres, teve queda de 1,09%. Já na Ásia, o índice Nikkei, de Tóquio, caiu 2,32% e o Hang Seng caiu 3,10%.
Já o VIX, índice que mede a volatilidade nos mercados financeiros, ultrapassa os 35 pontos. Também conhecido como “índice do medo”, ele estava entre dez e quinze pontos no mês passado - quanto menor, menor a volatilidade.
Na avaliação de Ari Santos gerente de renda variável da H.Commcor, essa turbulência nas bolsas americanas ocorreu em um momento de retomada da confiança no Brasil, com uma maior expectativa em relação ao crescimento da economia. Por conta dessa frustração, ele acredita ser natural esse movimento de proteção.
— Estávamos em um momento de euforia, com a expectativa de crescimento da economia, o ex-presidente Lula praticamente fora das eleições e o aumento do preço das commodities. Essa volatilidade pegou a gente de surpresa e acabou frustrando — avaliou.
A turbulência dos mercados globais tem como pano de fundo o temor de uma alta mais forte dos juros nas principais economias, em especial a americana. No início do ano, a expectativa era de que o Federal Reserve (Fed, o bc americano) elevasse as taxas por três vezes ao longo do ano. Agora, aumenta a aposta de que serão quatro altas de 0,25 ponto percentual. Atualmente, o juro na maior economia do mundo vai de 1,25% a 1,50% ao ano. Isso faz com que os gestores em todo o mundo revejam suas estratégias, vendendo ativos de riscos (como ações e moedas) e indo para investimentos mais seguros, como os títulos do Tesouro americano. As “treasuries” de dez anos estão pagando 2,85% ao ano.
— A Ásia fechou no território fortemente negativo e as principais bolsas europeias também trabalharam no vermelho, mas de uma forma mais comedida — disse Jefferson Luiz Rugik, analista da Correparti Corretora de Câmbio.
As ações mais negociadas do Ibovespa operam em queda em meio a esse cenário. As preferenciais (PNs, sem direito a voto) da Petrobras caem 2,30%, cotadas a R$ 18,61, e as ordinárias (ONs, com direito a voto) recuam 2,70%, a R$ 19,80 - o petróleo recua 3,02% no exterior, com o barril do tipo Brent cotado a US$ 62,85. No caso da Vale, o papel tem queda de 0,88%.
A Lojas Renner, no entanto, é a ação que lidera as perdas. O recuo é de 4,83%. A varejista divulgou os resultados do quarto trimestre, que mostrou um crescimento das vendas abaixo do esperado, frustrando os investidores.

