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Ibovespa se divide entre queda em NY, baixa de cíclicas e petróleo a US$ 101

Estadão

O Ibovespa abriu em leve queda nesta quinta-feira, 23, apesar do forte recuo dos índices das bolsas europeias e norte-americanas. A frustração de investidores com resultados trimestrais de big techs nos Estados Unidos pesa nos mercados, que também monitoram a escalada do conflito entre EUA e Irã. Nesse cenário, o petróleo sobe com força, num dia novamente de agenda mais fraca, assim como os juros futuros.

De acordo com João Debom, sócio da Alude Capital, o movimento da commodity no exterior é o ponto central nesta quinta, devido à ascensão das preocupações com a inflação global. "Consequentemente, isso pode limitar o espaço para corte de juros nas principais economias do mundo. Pesa também no Ibovespa", diz.

O Brent tocou máxima de US$ 101,01 o barril, enquanto o WTI chegou a US$ 91,97. A alta reforça preocupações inflacionárias e mantém no radar a trajetória da política monetária global, em especial do Federal Reserve (Fed). Nesta quinta, o Banco Central Europeu (BCE) manteve os juros, conforme o esperado, após aumento em junho, destacando riscos inflacionários.

"A retomada do conflito volta a causas temores nos mercados. Por isso, o Ibovespa tem andado de lado, no geral. O fluxo do dinheiro fica mais contido, apesar de recentemente ter entrado capital estrangeiro, mas algo pequeno em relação ao visto no começo de 2026. Não é uma mudança estrutural", afirma João Daronco, analista da Suno.

No contexto geopolítico, as forças americanas concluíram mais uma rodada de ataques contra o Irã. Os EUA reafirmaram que as operações buscam reduzir a capacidade iraniana de atacar embarcações comerciais no Estreito de Ormuz. Já o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou punir militarmente os houthis do Iêmen se o grupo continuar a interferir nas rotas comerciais da região do Golfo, acrescentando que Washington também irá responsabilizar o Irã.

Segundo Alvaro Bandeira, coordenador de Economia da Apimec Brasil, ainda que tenha avanço de ações do setor de energia na Bolsa, "todo mundo sofre" com essa situação. "Mesmo quem pode ganhar com a alta do petróleo, no geral, todo o resto perde, pois os juros estão subindo. Enquanto não tiver como enxergar o futuro fica complicado", diz.

Além do petróleo, o minério de ferro subiu 0,74% (Dalian) e 1,05% (Singapura), estimulando as ações do setor, no geral. Vale avança mais de 2%, enquanto Petrobras sobe até 2%.

Conforme Matheus Nascimento, analista de crédito na Oby Capital, o avanço dos juros futuros também ecoa questões domésticas, como preocupações fiscais. Segundo ele, a visão é de que talvez não haja mais espaço para cortes da Selic em 2026. "É um ponto a se monitorar", afirma.

Na quarta-feira, 22, o Ibovespa fechou em alta de 2,44%, aos 177.547,57 pontos. Às 11h36 desta quinta, o Ibovespa cedia 0,13%, aos 177.314,19 pontos, ante recuo de 0,71%, na mínima em 176.293,25 pontos, e alta de 0,20%, na máxima em 177.895,77 pontos, contra abertura em 177.545,95 pontos (-0,01%). "O índice interrompe o pequeno rally de ontem. De um outro lado, nós temos ações da Petrobras subindo com a alta do petróleo", pontua Debom, da Alude Capital. Ações mais sensíveis a juros são destaque de queda, caso de Hapvida (-4,40%) e Cyrella ON (-3,38%), por exemplo.

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