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Ibovespa começa julho com cautela; Vale sobe

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Ibovespa começa julho com cautela; Vale sobe
Ibovespa começa julho com cautela; Vale sobe

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO, 1 Jul (Reuters) - A bolsa paulista começava o segundo semestre refletindo certa cautela de agentes financeiros, em uma quarta-feira também marcada por menor apetite a risco no exterior, enquanto Vale era um contrapeso positivo relevante.

Por volta de 11h25, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, caía 0,36%, a 171.409,68 pontos.

Estrategistas do BTG Pactual reduziram marginalmente o risco na sua carteira de ações 10 SIM recomendada para julho, citando um cenário mais incerto pela frente e a ausência de claros catalisadores de curto prazo.

Em relatório enviado a clientes, eles afirmaram que as ações brasileiras parecem baratas, mas também citaram que elas perderam espaço perante investidores estrangeiros. 

"Com a inflação acima da meta, o Banco Central do Brasil tem pouco espaço para cortar os juros. E com os juros de curto prazo prestes a subir nos EUA, isso limita ainda mais a sua capacidade de reduzir as taxas de juros locais", afirmaram.

"Ao mesmo tempo, o aumento dos gastos do governo às vésperas das eleições presidenciais de outubro está pressionando as taxas reais de longo prazo, que encerraram junho em 7,9%."

O início do ciclo de cortes na taxa Selic em março endossou o movimento positivo que prevaleceu na bolsa paulista no começo do ano, e foi apoiado principalmente por estrangeiros.

Boa parte da alta, porém, foi devolvida com uma reprecificação das expectativas sobre os próximos passos do Banco Central que passaram a apontar um ciclo de afrouxamento monetário mais curto do que o esperado.

Estrategistas do Goldman Sachs também citaram aumento da incerteza política com a eleição presidencial no país se aproximando, mas reiteraram a recomendação "overweight" para o Brasil em portfólio de ações de mercados emergentes.

Também afirmaram que o Brasil continua sendo o seu mercado acionário preferido na América Latina e que o mercado parece barato tanto em relação às taxas de juros de longo prazo quanto aos padrões observados em ciclos anteriores de queda de juros.

"Qualquer alívio na reprecificação mais agressiva das expectativas para os juros decorrente da redução dos preços de energia tende a favorecer as ações domésticas mais sensíveis aos juros", acrescentaram.

No exterior, o norte-americano S&P 500 rondava a estabilidade no primeiro pregão de julho, com a cena geopolítica dividindo as atenções com dados econômicos. 

A sessão também era marcada pelo avanço nos rendimentos dos títulos de 10 anos do Tesouro dos EUA, enquanto investidores aguardam dados do mercado de trabalho norte-americano previstos para a quinta-feira.

DESTAQUES

• BB SEGURIDADE ON recuava 3,11%, enquanto investidores analisam os potenciais reflexos para a companhia envolvendo o Plano Safra 2026/2027, anunciado na véspera. Analistas do UBS BB destacaram que o volume de recursos e as taxas de juros do Plano Safra, juntamente com a demanda dos produtores por seguros, continuam sendo variáveis-chave para a recuperação do negócio de seguros rurais da companhia.

• ENGIE BRASIL caía 3,3%, um dia antes de assembleia da companhia para decidir sobre aquisição de uma participação de 40% na usina hidrelétrica de Jirau de seu acionista controlador, em operação que será financiada por uma oferta de ações. O índice de energia elétrica da B3 tinha queda de 1,06%, com investidores na expectativa da segunda fase do primeiro leilão de transmissão de energia deste ano, prevista para sexta-feira, que prevê 4 lotes e investimento previsto de R$1,8 bilhão.

• VALE ON subia 1,09%, resistindo ao declínio dos futuros do minério de ferro da China.

• PETROBRAS PN recuava 0,29%, acompanhando a queda dos preços do petróleo no exterior. A presidente-executiva da estatal, Magda Chambriard, disse à Reuters que o preço do barril do petróleo parece ter se estabelecido em novo patamar de US$72 a US$75, embora o mercado ainda não tenha normalizado e a guerra no Oriente Médio continue impondo incertezas. A Petrobras anunciou na véspera redução de R$0,3515 do litro do diesel vendido a distribuidoras, mesmo valor do desconto que foi concedido no âmbito do subsídio governamental e que agora está sendo retirado. Nesta quarta-feira, disse que vai reduzir em 14,5% o preço médio de venda do querosene de aviação (QAV) para distribuidoras a partir de julho.

• ITAÚ UNIBANCO PN tinha alta de 0,87%, em pregão com dados de crédito no país mostrando que a inadimplência nos empréstimos com recursos livres no Brasil subiu em maio para 6,2%, nível mais alto desde o início da série do Banco Central em março de 2011. BRADESCO PN caía 0,22%, BANCO DO BRASIL ON registrava variação positiva de 0,05% e SANTANDER BRASIL UNIT mostrava estabilidade.

• BRASKEM PNA subia 1,26%, em sessão de ajustes, após acumular em junho queda de 39%.

• SUZANO ON valorizava-se 0,65%, tendo de pano de fundo a conclusão da operação para criar uma joint venture de US$3,4 bilhões com a gigante de bens de consumo Kimberly-Clark. Pelo acordo, a Suzano terá 51% da nova empresa e a Kimberly-Clark os 49% remanescentes.

(Por Paula Arend Laier;Edição Michael Susin)

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