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Haddad tem apoio institucional do setor bancário, diz presidente da Febraban

Por Folha de São Paulo

14/06/2024 12h30 — em
Economia



SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente da Febrabran (Federação Brasileira de Bancos), Isaac Sidney, reiterou o apoio do setor bancário ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, após se reunir com o ministro, na manhã desta sexta-feira (14).

"Nós saímos convencidos desse encontro de que o ministro Fernando Haddad está determinado a buscar o equilíbrio das contas públicas, mas também saímos convencidos de uma disposição firme que ele tem para fazer o diálogo dentro do próprio governo, para expandir esse diálogo para o Congresso Nacional, que é um poder fundamental nessa equação de busca do equilíbrio fiscal e também na interlocução que ele tem feito com o empresariado", afirmou a jornalistas.

"Nós aproveitamos a oportunidade, considerando também as circunstâncias e os últimos acontecimentos, de ruídos de tensionamentos sobre as discussões a respeito do cumprimento das metas fiscais, do arcabouço fiscal, nós aqui estivemos para emprestar, para reafirmar o apoio institucional do setor bancário ao ministro da economia", disse Sidney na saída do encontro.

Participaram ainda André Esteves, fundador do BTG Pactual, Milton Maluhy (Itaú), Marcelo Noronha (Bradesco) e Mário Leão (Santander) com o ministro da Fazenda.

A declaração ocorre no final de uma semana de tensão, marcada pela derrota do ministro em medidas para tentar aumentar a arrecadação para compensar a desoneração da folha de pagamentos.

Entre os grupos beneficiados com a desoneração está o de comunicação, no qual se insere o Grupo Folha, empresa que edita a Folha. Também são contemplados os segmentos de calçados, call center, confecção e vestuário, construção civil, entre outros.

Sob fortes críticas, uma medida provisória restringindo as possibilidades de uso de créditos tributários do PIS/Cofin foi devolvida pelo Congresso, gerando uma percepção de enfraquecimento do titular da Fazenda.

As incertezas do mercado sobre a agenda de equilíbrio das contas públicas impactaram o ambiente financeiro nos últimos dias, inclusive com desvalorização do real frente ao dólar. A moeda americana voltou a cair ontem, após o anúncio de Haddad de que a equipe do governo vai intensificar os trabalhos de revisão dos gastos para atingir a proposta de Orçamento de 2025.

Na última semana, outra reunião de Haddad com membros do mercado financeiro gerou ruídos e boatos sobre uma possível mudança no conjunto de regras que balizam o crescimento dos gastos públicos.

Participantes do encontro da última semana disseram a jornalistas que o ministro teria dito que eventual contingenciamento de gastos dependeria do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e que o arcabouço fiscal poderia até ser mudado.

No final daquela tarde, após reportagens citando a reunião, Haddad se mostrou irritado e afirmou que houve uma quebra de protocolo. "A pessoa que vazou a informação vazou uma informação falsa. Quando fui perguntado se um aumento da despesa obrigatória poderia ensejar o contingenciamento, eu disse que simbolizaria como determina o arcabouço [fiscal]."

O ministro considerou o vazamento "muito grave" e uma "irresponsabilidade". "Não se pode vender ao mercado algo que não foi dito. O que venderam e o que eu disse foram duas coisas completamente diferentes", completou.

Em meio à fritura geral, o alto escalão do governo fez acenos públicos ao ministro. Em viagem a Genebra, o presidente Lula afirmou na quinta (13) que ele "é um extraordinário ministro".

Depois, ao lado de Simone Tebet (Planejamento) e em uma tentativa de distensionar a relação com o mercado, o ministro disse a jornalistas que pediu ao grupo um ritmo mais intenso de trabalhos na discussão sobre a agenda de corte de gastos e que o governo construirá um extenso cardápio de alternativas.

"Começamos aqui a discutir 2025, a agenda de gastos. O que a gente pediu foi uma intensificação dos trabalhos, para que até o final de junho nós possamos ter clareza do Orçamento de 2025, estruturalmente bem montado, para passar tranquilidade sobre o endereçamento das questões fiscais do país", afirmou.


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