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Guerra no Irã pesa sobre economia global e mais países anunciam medidas de apoio

Reuters
Guerra no Irã pesa sobre economia global e mais países anunciam medidas de apoio
Guerra no Irã pesa sobre economia global e mais países anunciam medidas de apoio

Por Mark John

LONDRES, 13 Abr (Reuters) - O alarme sobre o impacto da guerra do Irã na economia global aumentou nesta segunda-feira, com mais países anunciando medidas de apoio de emergência para combater o aumento dos custos de energia, enquanto outros apelaram por ajuda internacional.

O conflito -- o terceiro grande choque a atingir a economia mundial após a pandemia da Covid e a invasão da Ucrânia pela Rússia -- dominará a reunião desta semana de autoridades financeiras no Fundo Monetário Internacional, em Washington.

Quaisquer esperanças remanescentes de uma retomada antecipada dos embarques de petróleo pelo ponto de estrangulamento do Estreito de Ormuz foram frustradas após o fracasso das negociações entre os EUA e o Irã no fim de semana, que deixaram um frágil cessar-fogo ainda mais ameaçado.

O FMI e o Banco Mundial já sinalizaram que reduzirão suas previsões de crescimento global e aumentarão suas previsões de inflação como resultado da guerra, e que os mercados emergentes e os países em desenvolvimento serão os mais atingidos.

A Nigéria disse nesta segunda-feira que precisa de maior apoio internacional para lidar com os custos crescentes de combustível no país, mesmo com os preços mais altos do petróleo bruto aumentando os ganhos em moeda estrangeira para o maior produtor de petróleo da África.

"O choque ocorre em um ponto crítico de transição, intensificando as pressões inflacionárias e aumentando o custo de vida das famílias", disse o ministro das Finanças, Wale Edun, em um comunicado antes das reuniões desta semana em Washington.

Os preços locais da gasolina subiram mais de 50% e os do diesel mais de 70% desde o início do conflito, disse Edun, acrescentando que o choque ameaça inviabilizar esforços lançados em 2023 para estabilizar a economia e reavivar o crescimento.

MAIS PAÍSES SINALIZAM APOIO

Poucos países estão imunes aos abalos causados pela interrupção do transporte de energia pelo estreito desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, que provocou a pior interrupção de suprimentos do mundo. Dezenas de governos já agiram com medidas voltadas à economia de energia ou destinadas a apoiar os consumidores.

O governo de coalizão da Alemanha, que inicialmente resistiu aos pedidos de apoio, disse nesta segunda-feira que concordou com um alívio do preço do combustível para consumidores e empresas no valor de 1,6 bilhão de euros (US$1,9 bilhão) por meio de cortes nos impostos sobre o diesel e a gasolina.

"Essa guerra é a verdadeira causa dos problemas que estamos enfrentando também em nosso próprio país", disse o chanceler Friedrich Merz em uma coletiva de imprensa.

O governo da Suécia disse que também cortará os impostos sobre combustíveis e aumentará subsídios à eletricidade em um pacote no valor de cerca de US$825 milhões.

"É um sinal de que faremos o que for necessário para (...) amortecer o impacto do que está acontecendo agora para as famílias", disse a ministra das Finanças, Elisabeth Svantesson, aos repórteres.

A ministra das finanças britânica, Rachel Reeves, deve apresentar no final desta semana sua estratégia para ajudar as empresas que estão enfrentando dificuldades com os altos preços da energia. Em uma coluna para o Sunday Times, ela escreveu que os produtores no Reino Unido "enfrentaram preços de energia não competitivos por muito tempo".

Separadamente, o primeiro-ministro Keir Starmer se referiu a conflitos em todo o mundo ao explicar os planos de seu governo para se realinhar com a União Europeia e seu grande mercado único, uma década depois que o país votou a favor da saída da UE.

"Estamos em um mundo onde há um enorme conflito, uma grande incerteza, e acredito firmemente que os melhores interesses do Reino Unido são de um relacionamento mais forte e mais próximo com a Europa", disse ele à rádio BBC.

A guerra do Irã também está alterando a atuação dos bancos centrais em todo o mundo, conforme os formuladores de política monetária tentam entender o quanto isso afetará o crescimento econômico e aumentará a inflação -- potencialmente ao mesmo tempo, o que seria um indesejável surto de "estagflação".

O vice-presidente do Banco Central Europeu, Luis de Guindos, disse nesta segunda-feira que qualquer aumento da taxa do BCE dependerá de como o aumento dos custos do petróleo bruto afetará os preços na economia em geral.

Os formuladores de política monetária do Banco do Japão também estão mantendo suas opções em aberto antes de sua reunião de fixação de taxas neste mês, mas com chances cada vez menores de um aumento das taxas, antes visto como uma forte possibilidade.

(Reportagem de Camillus Eboh em Abuja; Simon Johnson em Estocolomo; Andreas Rinke, Maria Martinez e Miranda Murray em Berlim; Sam Tabahriti, Alistair Smouth e Elizabeth Piper em Londres; Jesús Aguado em Madrid; Leika Kihara em Tóquio)

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