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Governo não trabalha com aumento de impostos para compensar diesel, diz Guardia

BRASÍLIA — Um dia após afirmar que o aumento de impostos é uma alternativa para cobrir as reduções nos tributos sobre o diesel, o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, afirmou que essa compensação será feita apenas por redução de isenções fiscais. Ele negou que, apesar de a lei prever o aumento de alíquotas como uma alternativa, essa não é a intenção do governo.

— Uma coisa é o que diz a lei. A LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal) determina que qualquer diminuição de impostos implique necessidade de compensação mediante aumento de alíquota, aumento de impostos ou redução de incentivos fiscais. O que o governo fará para compensar é a redução de incentivos fiscais. Em nenhum momento o governo trabalha com aumento de impostos — disse.

Ele lembrou que as receitas provenientes da reoneração da folha de pagamentos, que deve ser votada hoje pelo plenário do Senado, não são suficientes para cobrir a redução de impostos que o governo propôs para o diesel. Por isso, serão necessárias medidas extras.

A proposta do governo para diminuir o preço do óleo diesel em R$ 0,46, um pedido do movimento de caminhoneiros, envolve R$ 0,16 em redução de impostos e R$ 0,30 em subsídios. Do lado dos tributos, a equipe econômica aceitou zerar a Cide e diminuir o PIS/Cofins. Isso custará o equivalente a R$ 4 bilhões para as contas públicas. É esse o impacto que, pela lei, o governo tem que compensar. Parte disso virá da reoneração da folha (que renderia menos de R$ 1,5 bilhão para esse ano) e o resto virá de medidas adicionais.

Os R$ 0,30 restantes viriam de um programa de subvenção que será criado. O governo se compromete a, até o fim do ano, garantir um desconto de R$ 0,30 sobre os reajustes decididos pela Petrobras mensalmente. A estatal será compensada por essa perda. Essa conta é estimada em R$ 9,5 bilhões. Destes, R$ 5,7 bilhões serão retirados de uma reserva de contingência, uma espécia de “sobra” dentro do Orçamento. E os outros R$ 3,8 bilhões terão que ser cortados de outras despesas.

— Esse esforço brutal que estamos fazendo é absolutamente compatível com as nossas restrições fiscais. Exige sacrifícios? Evidentemente que sim, temos que cortar recursos e abrir mão de nossa reservas de R$ 5,7 bilhões. Podemos discutir como estamos gastando o dinheiro, se deveríamos ou não. Mas estamos agindo de acordo com nossa restrição fiscal.

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