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Governo japonês pede informações à Kobe Steel por falsificação de dados sobre qualidade do aço

TÓQUIO - O governo japonês exigiu nesta quarta-feira que a siderúrgica Kobe Steel informe a real extensão da manipulação de dados do aço, alumínio e outros metais usados em uma gama de produtos, como rodovias, aeronaves e carros, no escândalo que sacudiu a indústria manufatureira do Japão.

Terceira maior siderúrgica japonesa, a Kobe Steel anunciou que entre setembro de 2016 até agosto deste ano vendeu materiais de alumínio e cobre usando dados falsificados sobre coisas como a resistência dos produtos.

O secretário Kotaro Nogami disse à imprensa que o governo estava buscando mais informações sobre o problema e tentando determinar seu possível impacto na segurança dos produtos. Ele criticou a falsificação de dados classificando-a de "inadequada".

Pelos menos 200 dos clientes da Kobe Steel, incluindo alguns fabricantes de equipamentos de defesa, foram afetados, disse Nogami, sem identificar as empresas. Mas várias montadoras disseram ter sido informadas sobre o problema e que estão investigando.

"Nós confirmamos que o alumínio da Kobe Steel é utilizado no capô e portas de alguns de nossos veículos", disse a Nissan por mail. "Como o capô está relacionado à segurança dos pedestres, estamos trabalhando para avaliar rapidamente qualquer impacto potencial na funcionalidade do veículo".

A Toyota também confirmou que o material da Kobe Steel é usado nos capôs e portas traseiras de alguns de seus veículos.

"Colocamos a segurança de nossos clientes como prioridade máxima. Já estamos trabalhando rapidamente para identificar quais modelos de veículos podem estar sujeitos a esta situação e quais componentes foram usados, bem como o efeito que pode causar em veículos individuais", disse a Toyota em comunicado. "Ao mesmo tempo, estamos considerando quais medidas precisam ser implementadas no futuro".

A Boeing também informou que está analisando o problema.

"A Boeing tem trabalhado de perto e de forma contínua com os nossos fornecedores desde que foi notificada, para assegurar ações oportunas e apropriadas, incluindo inspeções abrangentes e análises em toda a cadeia de suprimentos. Nada, na nossa revisão até o momento, nos leva a concluir que esta questão apresenta uma preocupação de segurança. Continuaremos trabalhando diligentemente com nossos fornecedores para completar nossa investigação".

Em um release, a Kobe Steel informou que os materiais utilizados incluíam produtos laminados, planos de alumínio, extrusões de alumínio, lâminas e tubos de cobre e fundições de alumínio e forjados.

Não ficou claro se o total de 40,9 mil toneladas de produtos envolvidos incluíram embarques para outros países.

"Os dados nos certificados de inspeção foram reescritos incorretamente, etc., e os produtos foram enviados como tendo cumprido as especificações em questão", disse a empresa, descrevendo as ações como "conduta imprópria".

O problema foi descoberto durante inspeções internas e "auditorias emergenciais de qualidade", afirmou. O preço da ação da Kobe Steel despencou 17,8% nno pregão desta quarta-feira, em Tóquio.

A Kobe Steel informou ainda que estava fazendo contato com seus clientes e trabalhando para verificar a segurança dos produtos fornecidos.

"Até o momento, a verificação e inspeção não reconheceram problemas específicos".

A empresa disse também ter criado um comitê, liderado por seu presidente, para investigar questões de qualidade, além de ter contratado um escritório de advocacia para analisar os problemas de falta de conduta.

Os escândalos envolvendo qualidade de produtos se tornaram cada vez mais frequentes no Japão nos últimos anos. A fabricante de peças de automóveis Takata Corp, por exemplo, pagou US$ 1 bilhão por ocultar um defeito no air bag, o que teria causado 19 mortes em todo o mundo. As grandes montadoras também têm feito inúmeros recalls e enfrentam críticas por supostamente continuarem a usar os air bags defeituosos, apesar de terem conhecimento do problema.

Ano passado, a Mitsubishi Motors Corp. reconheceu ter falsificado sistematicamente dados de milhagem em alguns de seus veículos. Outro grande caso envolveu a fabricante de materiais e produtos químicos Asahi Kasei Corp. que descobriu que houve manipulação de dados em 360 dos 3.052 projetos da empresa.

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