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Economia

​Governo eleva taxa de juros para 13,75%, a maior em 8 anos

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 BRASÍLIA - Pela sétima vez consecutiva — o quinto aumento só em 2015 — o Banco Central (BC) elevou a taxa básica de juros (Selic) com o objetivo de conter a inflação. A Selic subiu de 13,75% para 14,25% ao ano, por decisão unânime tomada nesta quarta-feira e anunciada à noite pelo Comitê de Política Monetária (Copom). A taxa é a maior desde agosto de 2006, quando também chegou a 14,25% ao ano.
Estimativas do mercado mostram que a inflação medida pelo IPCA deve chegar a 9,23% este ano, percentual que equivale a mais que o dobro do centro da meta estipulada pela autoridade monetária para 2015, de 4,5%, com margem de tolerância de dois pontos percentuais.
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A elevação dos juros básicos em 0,5 ponto percentual ocorre em um momento de crise política com rápida deterioração do cenário econômico, com o reconhecimento do governo de que o ajuste das contas públicas será  
Em nota, a instituição explicou que Volpon "decidiu se abster de participar desta reunião" do Copom, “a fim de evitar possíveis prejuízos à imagem do Banco Central do Brasil, sendo essa decisão em caráter pessoal e irretratável”, conforme justificou o diretor em comunicado dirigido ao presidente do banco, Alexandre Tombini, antes do início da reunião.
"Os membros do Comitê compreenderam a decisão. Em reunião extraordinária realizada em 28 de julho, a Diretoria Colegiada já havia acolhido os esclarecimentos quanto ao teor de recente declaração pública de Volpon ", diz ainda o comunicado.
PARA ECONOMISTA, BC FOCA EM 2016
Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, acredita que o Copom, ao aumentar a Selic para 14,25%, não está focando mais em 2015 e, sim, 2016. Ou seja, a elevação de 0,5 ponto percentual terá efeito maior no ano que vem e o objetivo é levar a inflação para algo em torno de 5%, índice mais próximo do centro da meta.
— O aumento ficou dentro das expectativas. A inflação de 2015 já está dada — disse Agostini.
Já o economista-chefe da corretora Gradual, André Perfeito, acredita que o cenário atual sugere um aperto monetário maior. Segundo ele, a reavaliação da nota do Brasil para "negativa" pela agência de risco Standard & Poor's também ajudou na decisão do Copom.
Outro ponto destacado pelos economistas é que, com a decisão desta quarta-feira, os juros devem permanecer neste patamar de 14,25% nos próximos meses, o que reforça a preocupação com a inflação em 2016.
— Ao anunciar que não há mais subidas das taxas em curso, pelo menos por enquanto, o Banco Central tem pressa para indicar que não tem a intenção de cortar as taxas de juros tão cedo, daí a menção a um "período suficientemente longo" — comentou o economista Alexandre Schwartsman, ex-diretor do BC.
O presidente do Conselho Regional de Economia do Distrito Federal, Carlos Eduardo de Freitas, outro ex-diretor do banco, disse ter achado "ótimo" o aumento da Selic. Isto porque, a redução da meta de superávit fiscal decidida pela área econômica do governo, de 1,13% para 0,15% do PIB, causou preocupação.
— O Copom está de parabéns. Tinha de fazer isso, porque o movimento da semana passada nos deixou apreensivos — afirmou Freitas.
Linha de produção em indústria: setor tem resultado fraco - George Frey / Bloomberg
Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), porém, a elevação da Selic vai diminuir ainda mais a atividade industrial. Os juros altos encarecem o capital de giro das empresas, inibem investimentos e desestimulam o consumo das famílias, destacou a nota da entidade.
 
As centrais sindicais representadas pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) também criticaram o aumento dos juros. Na avaliação da entidade, "uma taxa de juros tão elevada está na contramão do desenvolvimento, da retomada do crescimento e da continuidade do processo de inclusão iniciado no governo Lula".
CUNHA: TAXA É 'ABSURDA'
Mesmo antes do anúncio da decisão do Copom sobre a taxa de juros, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), classificou de “absurda” a possibilidade de novo aumento e disse que a medida servirá apenas para aprofundar a recessão. Segundo ele, o aumento só servirá para aumentar a dívida bruta e não tem qualquer efeito na economia, a não ser ampliar a recessão.
– Acho absurdo. Esse aumento que está sendo especulado é um verdadeiro acinte à situação que estamos vivendo hoje. Não tem hoje inflação de demanda, só de preços administrados. A economia está em recessão. Não se consegue fazer superavit primário para pagar juros, nem sequer amortizar. Na realidade, é um estímulo à não concessão de crédito, porque os bancos não vão correr risco de emprestar, já não estão emprestando. Com o aumento de taxa da Selic. Aumentar meio ponto, como está previsto, é incompreensível – afirmou.

 

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