WASHINGTON - O Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou nesta segunda-feira o relatório anual sobre a economia chinesa. No texto, o Fundo recomenda que o país precisa acelerar suas reformas econômicas enquanto ainda pode contar com a segurança de um crescimento estável.
"O progresso da reforma precisa acelerar para garantir a estabilidade a médio prazo", e para reduzir o risco de um "ajuste acentuado", informou o FMI em seu Capítulo IV.
No entanto, o FMI reconheceu que "alguns riscos a curto prazo recuaram" como resultado do contínuo aperto contínuo nos mercados financeiro e habitacional. O Fundo estima ainda que o PIB chinês deva crescer 6,7% este ano — superando a estimativa anterior de 6,6% —, e que caia para 6,4% entre 2018-20, de acordo com as previsões do governo.
No entanto, o FMI alertou que um crescimento constante exigiria "reformas profundas para a transição do modelo de crescimento atual que depende de investimentos baseados em crédito e dívidas", segundo informou David Lipton, primeiro vice-diretor do FMI.
O crescimento da China tem sido impulsionado em grande parte pelo investimento, mas isso começou a desacelerar devido ao declínio da infraestrutura e do investimento imobiliário. Os números oficiais divulgados na quarta-feira mostram que o crescimento anual da infra-estrutura de investimento em ativos fixos caiu 4,3 pontos percentuais em maio, enquanto o crescimento do investimento imobiliário caiu 2,3 pontos percentuais — o que significa que o crescimento do investimento global em ativos fixos desacelerou em maio para 7,8% ano a ano.
Temendo bolhas em seus mercados financeiros e habitacionais, Pequim tornou prioridade conter o risco financeiro. Os reguladores restringiram a atividade especulativa e reprimiram instituições de companhias de seguros para promotores imobiliários . "Ninguém sabe ao certo quanto tempo a China tem até precisar fazer uma reforma. Mas a China precisa fazê-la, se não a taxa de retorno [no capital] vai continuar caindo ", disse Larry Hu, da Macquarie Capital.
A credibilidade dos dados econômicos da China também precisa ser melhorada para cumprir os compromissos internacionais do país, disse o FMI. Economistas em todo o mundo há muito criticaram as estatísticas econômicas oficiais da China por serem manipuladas e, portanto, fornecem pouca orientação para as partes interessadas estrangeiras.
Em particular, os números oficiais de crescimento e emprego da China são suspeitosamente estáveis, mostrando quase nenhum sinal da volatilidade que afetou a economia do país.



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