RIO - A agência de classificação de risco Fitch Ratings rebaixou nesta terça-feira a nota de crédito da Eldorado Brasil Celulose, empresa do grupo J&F, de “B+” para “B”, em moedas estrangeira e local no longo prazo. A instituição também definiu a perspectiva da classificação como negativa. A ação se explica pelos desdobramentos das delações de Joesley Batista, um dos donos do grupo, sobre pagamento de propina a integrantes do governo do presidente Michel Temer. Segundo a Fitch, a relação do grupo com corrupção aumentará o risco na obtenção de financiamento da companhia.
“O rebaixamento segue o anúncio de que alguns executivos do grupo J&F, incluindo grandes acionistas da matriz da Eldorado, J&F Investimentos, assinaram um acordo de negociação com a Procuradoria Geral da República do Brasil, que foi ratificada pela Supremo Tribunal Federal do país. O acordo estabelece o pagamento de uma multa total de R$ 225 milhões a ser paga pelos executivos”, afirma a Fitch. “A magnitude desse acordo, que inclui a admissão de pagamentos de propina a vários políticos, e o dano de reputação a partir das investigações devido ao tamanho e natureza desses pagamentos provavelmente vão prejudicar a capacidade da Eldorado de obter financiamento ou vender ativos”.
A perspectiva negativa reflete a expectativa da agência de que a multa pela delação premiada que está sendo negociada vai enfraquecer a “posição financeira precária da companhia”:
“Os rebaixamentos poderão ser de múltiplos níveis se este acordo não resultar em empréstimos ao grupo do BNDES e de outras instituições financeiras brasileiras, já que a empresa atualmente não é capaz de explorar os mercados de capitais internacionais”, afirmou a Fitch.
A agência disse que a liquidez da companhia pode cair a níveis consideravelmente fracos, que poderão reduzir a capacidade de cobrir sua dívida de curto prazo. Para este ano, a companhia tem o vencimento de R$ 941 milhões em dívida.
“A Eldorado precisa continuar a refinanciar parte de seus próximos vencimentos, já seu fluxo de caixa livre ainda é limitado e pressionado por altos gastos financeiros”, indicou a agência.



Aviso