RIO - Três dias depois do relatório em que aponta o aumento da incerteza sobre a aprovação das reformas da Previdência e trabalhista por causa da crise política, a agência de classificação de risco Fitch afirmou que o fenômeno vai aumentar o risco de crédito dos bancos. O documento aponta que o ambiente político não vai provocar uma deterioração imediata e brusca das qualidades dos ativos dos bancos. Só que o crescente risco político tende a aumentar a incerteza de políticas e do Legislativo, em um momento em que a reforma econômica e a agenda legislativa são críticas para a recuperação da economia.
Diante do cenário, a Fitch manteve a perspectiva negativa para o setor bancário brasileiro, com o ambiente econômico fraco e possíveis efeitos sobre a qualidade dos ativos pesando. “Houve alguns sinais de estabilização no ambiente operacional, mas eles continuam com curta duração”, diz o documento.
“O potencial para a melhora na qualidade dos ativos bancários brasileiros tende a ser prejudicado por mudanças macroeconômicas mais amplas, mas o escândalo de corrupção pode ter efeitos mais específicos para o negócio de proteínas e para a cadeia do setor”, aponta o relatório divulgado nesta segunda-feira.
Segundo a Fitch, os bancos pequenos e médios têm exposição moderada à indústria de proteínas, enquanto os grandes bancos privados não têm exposição direta. A situação dos bancos públicos, no entanto, é diferente, alerta a Fitch. A exposição é maior em certos setores, como o agronegócio, e por isso a Fitch acredita que pode ser necessário recorrer a reservas adicionais.



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