BUENOS AIRES - O economista Mariano Lamothe, diretor de mercados de energia, mineração e infraestrutura da consultoria Abecebe, afirma que o principal motor da recuperação econômica argentina é o setor de construção. A reativação está chegando a outras atividades, como turismo e energia, e as projeções mais otimistas apontam crescimento de até 3% este ano.
Todos os números macroeconômicos indicam que estamos num processo de recuperação. Nos últimos três meses, vimos um processo de recuperação econômica homogêneo, que incluiu a agroindústria, construção e, também, um pouco de consumo. Mas existem diferentes ritmos. No ano passado, a agroindústria foi o setor que mais se recuperou, em grande medida, pelo fim dos controles cambiais. Hoje, estamos crescendo a um ritmo mensal de 4%. Mas, como no começo do ano o ritmo ainda era mais lento, o mais provável é que terminemos 2017 com uma variação positiva do PIB entre 2,5% e 3%.
Hoje, a construção é o motor pelo ritmo no qual está crescendo. Muitos dos projetos apresentados no ano passado já estão em marcha, muitas obras públicas na província de Buenos Aires, principalmente obras viárias. E isso vai gerando novos postos de trabalho rapidamente. É o setor que mais está recuperando empregos. Outro setor que está impactando é o energético, porque começaram a ser realizadas as primeiras concessões públicas. Somente em obras viárias, temos em torno de US$ 2,1 bilhões já aprovados em novas concessões.
Começou a mostrar uma recuperação, mas não ainda em supermercados e shoppings. O turismo local se reativou bastante.
No ano passado, a esta altura do ano tivemos um ajuste do poder aquisitivo em torno de 7%. Houve aceleração da inflação e negociações salariais que deixaram os salários abaixo da inflação. Falava-se numa lei para proibir demissões, e hoje estamos criando empregos. O pior que existe para o consumo é o temor de perder o emprego.
Como acertos eu diria liberação do câmbio, acordo com credores, estabelecimento de metas de inflação, legalização de capitais e lançamento de novos créditos hipotecários para a classe média. O grande desafio hoje é o déficit fiscal (de 4,2% do PIB). Essa é a principal dúvida, porque este modelo não é sustentável com este nível de déficit fiscal. (...) Se no ano que vem baixarmos o déficit, claramente estaremos num caminho viável.

