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Empresa operadora da linha de transmissão de Belo Monte rebate ONS sobre apagão

RIO - O proprietário da Linha Xingu-Estreito da usina hidrelétrica de Belo Monte, a Belo Monte Transmissão de Energia (BMTE), rebateu nesta sexta-feira a afirmação do diretor-geral do Operador Nacional do Sistema (ONS), Luiz Fernando Barata, de que a empresa foi a responsável pela falha que causou o apagão de energia no último dia 21 e que atingiu 13 Estados das Regiões Norte e Nordeste. De acordo com a BMTE, por conta da falta das obras que seriam realizadas pela espanhola Abengoa, que está em liquidação judicial, foi necessário operar o sistema "em situação provisória", conforme autorização da Aneel e do ONS. A BMTE é formada pela associação da chinesa State Grid, com 51% das ações, e a Eletrobras, através de Furnas e Eletronorte (49%).

Segundo a empresa, tanto a BMTE como a Agência Nacional de Energia Elétricia (Aneel) e o ONS sabiam da operação do sistema com maiores riscos por falta da linha da Abengoa. Assim, de acordo com a empresa, com o sistema operando em uma situação que chama de "provisória", sem a linha de apoio da Abengoa, a BMTE afirma que "estamos trabalhando com uma situação que equivale a maiores riscos de contingências do que o planejado. "

De acordo com a diretoria do BMTE, se ocorreu uma falha na operação com a calibragem do disjuntor, foi com o conhecimento do ONS. Sem o trecho que seria feito pela Abengoa, ficou decidido que a conexão entre a subestação de Xingu e a usina, ou seja, toda energia seria transportada apenas pelo bipolo da BMTE. "Com risco de desligamento por falha simples ", afirma a empresa em nota.

A direção da empresa afirmou ainda que essa falha poderia ter sido evitada se o ONS tivesse permitido realizar os testes na linha chegando até 4 mil megawatts de energia. Mas os testes realizados no fim de semana anterior ao apagão foram até 1.000 megawatts. "Caso tivéssemos testado com 4.000 MW esse evento ocorrido em 21/03 teria sido detectado."

A BMTE destacou que no dia 1º de abril informou à Aneel e ao ONS, por carta, sobre as etapas de implementação do sistema e o risco operacional desta solução provisória. De acordo com a empresa, o ONS, em carta no dia 6 de junho do ano passado, disse que, apesar de considerar "vantajosa" a operação provisória só com um sistema da BMTE, alerta que "falha de disjuntor e atuação da proteção para essa falha poderá resultar no desligamento da barra e consequente desligamento do bipolo 1 de Belo Monte".

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