SÃO PAULO - O empresário Abilio Diniz permanecerá na presidência do Conselho de Administração da BRF, dona das marcas Sadia e Perdigão, até o próximo dia 26, data da assembleia de acionistas. Em uma nova reunião do Conselho realizada nesta sexta-feira, que durou mais de seis horas, ficou definida a permanência de Abilio, enquanto os fundos Previ e Petros e o empresário, que estariam próximos de um acordo, acertam detalhes para fechar a lista de nomes que irão compor o novo colegiado após sua saída. Depois de recuarem 4,38% na quinta-feira, as ações da maior exportadora de carne de frango do mundo subiram 1,41% nesta sexta, encerrando o dia cotadas a R$ 22,36.
A expectativa era de que Abilio renunciasse ao cargo na quinta-feira, durante reunião extraordinária do Conselho, mas divergências sobre a composição da chapa com os nomes que substituirão os atuais conselheiros adiaram a sua saída.
“Trabalhei muito esses dois dias para unir acionistas e Conselho em torno de uma chapa única, pois entendo que a união é o primeiro passo para a jornada de retomada de valor da BRF”, afirmou Abilio por meio de sua assessoria de imprensa.
Dono de quase 4% das ações da BRF, Abilio propôs a formação de uma chapa única e consensual em troca de sua renúncia. Isso não aconteceu porque, segundo fontes, o empresário quer vetar o nome de um terceiro conselheiro proposto pelos fundos de pensão Petros e Previ. Esse conselheiro seria o advogado Francisco Petros, que é o atual vice-presidente do colegiado e vinha tendo divergências com o empresário.
Petros não compareceu à reunião de quinta-feira e não aceitou ser substituído, já que foi indicado para permanecer, segundo uma fonte. Ele também teria se oposto à proposta de Abilio de pagamento de um bônus de R$ 40 milhões a executivos da empresa, incluindo o atual presidente, Aurélio Drummond Jr., homem de sua confiança, que receberia R$ 6 milhões. A justificativa de Abilio para as bonificações seria reter talentos, já que muitos profissionais qualificados têm deixado a BRF. Petros contra-argumentou, por escrito, que esses valores precisam ser rediscutidos depois do prejuízo bilionário da BRF no ano passado.
Abilio já havia vetado outros dois nomes indicados na primeira lista apresentada pelos fundos: Roberto Funari, ex-Unilever, e Guilherme Afonso Ferreira, dono da gestora Teorema e que foi membro do Conselho de Administração do Pão de Açúcar. E indicou Flavia de Almeida, que trabalha em sua empresa de participações, a Península, e mais um nome independente.
A indicação do ex-ministro Luiz Fernando Furlan para uma espécie de mandato-tampão como presidente do Conselho, até 26 de abril, também foi descartada. Furlan não aceitou essa condição. Com isso, a expectativa era que Augusto da Cruz, ex-Pão de Açúcar, que teve a chancela dos fundos, assumisse a presidência desde já, o também que não aconteceu.
Nos cinco anos de Abilio à frente do Conselho, a BRF mergulhou em sua maior crise. Além de ter sido alvo da Operação Carne Fraca — deflagrada em março de 2017 pela Polícia Federal para investigar um esquema de suborno a fiscais do Ministério da Agricultura por frigoríficos —, a empresa amargou, nos dois últimos anos, os maiores prejuízos de sua história, que somaram cerca de R$ 1,5 bilhão. Recentemente, foi alvo de outra fase da Carne Fraca.
Diante desse quadro, que levou a uma forte depreciação das ações da BRF, os fundos Petros e Previ, que juntos detêm 22% do capital da empresa, iniciaram em março um movimento para destituir Abilio e todo o Conselho. Com a adesão de outros acionistas relevantes à iniciativa dos fundos, o empresário decidiu negociar sua saída.




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