DAVOS - Mesmo diante de um rebaixamento do Brasil pela agência de classificação de risco Standard & Poor´s (S&P), o mercado financeiro deu um grande voto de confiança ao Brasil. Isso é o que avalia o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, que chegou nesta segunda-feira a Davos para participar de mais uma edição do Fórum Econômico Mundial. Em entrevista ao GLOBO, ele afirmou que a prova dessa confiança está no fato de o câmbio, os juros e o preço dos ativos terem ficado estáveis depois da decisão da S&P. No entanto, lembra o executivo, paciência tem limite e a dos investidores está sendo testada com a reforma da Previdência.
Segundo Trabuco, é importante que alguma mudança no sistema de aposentadorias seja aprovada logo. Ele reconhece que nem todo o plano que está sendo proposto pelo governo deve ser aprovado de imediato, mas que ao menos a fixação de uma idade mínima precisa passar.
- Esse rebaixamento (da S&P) está relacionado à questão fiscal. É claro que ele não é confortável, mas foi possível ver que ele não mexeu no mercado doméstico. Tanto que os preços dos ativos não caíram, o câmbio não flutuou e os juros não subiram. O governo inclusive conseguiu fazer uma captação de recursos no mercado internacional a taxas baixas. Isso mostra que o mercado deu um grande voto de confiança ao Brasil - disse Trabuco, acrescentando:
- Mas há um limite. Nenhum país tem futuro se tiver déficit fiscal por muito tempo. É preciso haver equilíbrio fiscal para que se possa investir, inclusive nas áreas sociais. Por isso é importante a reforma da Previdência. A aprovação de uma idade mínima já dá um sinal positivo e mostra que o sistema tem que ir sendo reformado aos poucos - disse ele, acrescentando que acredita na votação da proposta ainda em 2018.
Sobre a agenda de Davos, o presidente do Bradesco evitou comentar a possível repercussão que a decisão do Tribunal Regional Federal (TRF) da 4a região sobre o ex-presidente Lula - que pode dificultar sua candidatura à presidência - terá nas conversas do governo brasileiro com os investidores. O julgamento ocorrerá exatamente no dia em que o presidente Michel Temer estará nos Alpes Suíços. Trabuco disse apenas que o importante para o mercado é a agenda econômica dos candidatos:
- Eu não tenho condições de opinar sobre o fato (decisão do TRF). O que importa é o comprometimento dos candidatos com a agenda de ajuste fiscal.
O presidente do Bradesco reconheceu ainda a importância da proposta que está sendo discutida entre o Banco Central e os bancos para reduzir os juros do cheque especial. Ele explicou que essa é uma linha de curtíssimo prazo que tem taxas de juros “elevadíssimas” e, portanto, pode ser aperfeiçoada.

