BRASÍLIA - O presidente Michel Temer acenou com mudanças no relatório da reforma da Previdência, e disse que o resultado fiscal com as novas aposentadorias pode cair de 30 ou 40 anos para 20 anos. Antes de reunião com parlamentares no Palácio do Planalto nesta terça-feira, Temer defendeu as alterações discutidas pelo Congresso no texto da reforma: afirmou que a comissão busca aprimorá-lo, e não desnaturá-lo. O peemedebista disse ainda que a idade mínima, de 65 anos, é espinha dorsal do projeto.
— O importante é que nós, pouco a pouco, vamos acolhendo sugestões. Porque, evidentemente, quando as sugestões vêm do Congresso Nacional, e nesse caso específico da comissão (da reforma previdenciária), é para aprimorar o projeto, não é para desnaturá-lo. E, mais do que isso, para fazer compatível com as aspirações populares, que é o que mais queremos — declarou Temer em fala na abertura da audiência, que foi transmitida pela TV estatal NBR.
Na última quinta-feira, o relator da reforma da Previdência, o deputado Arthur Maia (PPS-BA), anunciou que seu relatório teria alterações em cinco pontos: aposentadoria rural, benefício de prestação continuada (BPC), pensões, aposentadoria de professores e policiais, e regras de transição. Ainda não há detalhes sobre essas mudanças. Nesta segunda-feira, parlamentares foram ao Planalto fazer uma reunião, em que o tema principal foi a regra de transição. O martelo ainda não foi batido.
Enquanto sinaliza que o governo cederá à base parlamentar, Temer admite que a proposta de emenda à Constituição (PEC) para endurecer as aposentadorias e benefícios de seguridade social pode ter efeito menor do que o pretendido.
— Confesso que o projeto original que nós mandamos é uma reforma que visa a 30, 40 anos. Se não pudermos fazer por 30, 40 anos, faremos por 20 anos.
O único trecho defendido firmemente pelo presidente foi a idade mínima para se aposentar, que é de 65 anos para homens e mulheres. Ele classificou esse ponto de a "espinha dorsal" da reforma.
— Ele (relator Arthur Maia) vai elaborar seu relatório sem quebrar a espinha dorsal da Previdência, o esquema central da reforma, que basicamente se atém à questão da idade — declarou o presidente, emendando que a reforma previdenciária será definidora se o governo terá uma "vitória reformista".
— A reforma da Previdência é o símbolo da vitória reformista ou não do governo.

