RIO - Em pregão volátil, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) volta a cair nesta quinta-feira, recuando 1,32%, aos 63.918 pontos. No mercado de câmbio, o dólar comercial avança 0,99% frente ao real, cotado a R$ 3,147 para venda. Na véspera, a percepção de que a Reforma da Previdência será mais difícil de aprovar do que o esperado fez a Bolsa fechar em queda de 1,51%. Hoje, anúncio do governo admitindo mudanças no projeto corrobora a cautela dos investidores. Segundo analistas, embora o consenso ainda é de que a reforma será aprovada, há muita incerteza sobre a extensão das concessões do governo para que isso aconteça.
A piora na avaliação de risco ocorreu após o site do jornal “O Estado de S. Paulo” divulgar um levantamento em que mostra que a maior parte dos deputados é contrária a reforma. Na tarde desta quinta-feira, o governo anunciou que , mas garantiu que a reforma não será desidratada. Em entrevista nesta quinta-feira no Palácio do Planalto, após participar de reunião com o presidente Michel Temer e o secretário de Previdência, Marcelo Caetano, o relator da proposta na comissão especial da Câmara, Arthur Maia (PPS-BA), declarou que o objetivo é proteger os "mais pobres" e tirar privilégios. Mais cedo,
Como, o governo já desistiu da regra de transição. Pelo texto original, ficariam na fase de transição homens acima de 50 anos e mulheres com mais de 45 anos. Agora, todos serão afetados pelas mudanças, e será considerado na transição o tempo de contribuição dos segurados para o regime de aposentadoria.
Rogério Freitas, sócio na Teórica Investimentos, afirmou que o mercado financeiro está vivendo “um dia após o outro” no que diz respeito à reforma da Previdência. De acordo com ele, o cenário-base de todos ainda é de que a reforma será aprovada, mas o ponto mais importante é saber sob quais condições.
— Os investidores acreditam que alguma reforma vai ser aprovada. A questão é qual será ela. O problema é que nem o mercado e nem mesmo o governo sabem a resposta a essa pergunta hoje. Sabe-se que o governo terá que flexibilizar o projeto para ele passar, e tudo vai depender dessa flexibilização. Passar uma reforma meia-boca não é bom. Achava-se até então que pouco da essência seria perdido. Mas já se vê que o governo vai ter que ceder em alguns pontos importantes, o que é ruim para a solvência do país — afirmou Freitas. — Muito da história de juros caindo e retorno do crescimento se deu por causa da reforma fiscal como um todo, e a Previdência é parte a mais importante.
Luiz Eduardo Portella, sócio-gestor do Modal Asset Management, também observa que a reação negativa do mercado se dá antes de se conhecer o projeto de reforma em si. Ele avalia o movimento dos investidores com um ajuste para a volatilidade que é esperada para os próximos pregões.
— Na minha opinião, ainda é cedo para reagir mal, pois ainda nem conhecemos qual vai ser o parecer do relator do projeto, que só deve ser conhecido no dia 18. Ninguém sabe ainda qual será o texto. Por enquanto, sabemos apenas qual é o texto-base, mas não quais serão os resultados das revisões e vários itens anunciada pelo governo — disse Portella. — O que está no preço do mercado é que 65% do texto original passará. Mas o mercado está ajustando suas posições em preparação para pregões mais voláteis até os detalhes serem conhecidos.
Na avaliação de operadores, a incerteza está cobrando um preço.
— A reforma da Previdência é fundamental para o futuro do Orçamento. Por isso, a não aprovação ou a aprovação de uma reforma que sacrifique pontos-chave seriam péssimas notícias. Logo, é normal que as informações mais recentes façam preço no mercado. Há uma certa tensão — disse Maurício Pedrosa, estrategista Pedrosa Consultoria. — No fundo, majoritariamente, o mercado financeiro acredita que a reforma vai ser aprovada com algumas ressalvas. Mas a incerteza está sendo colocada no preço. Há muitos ruídos.
A Petrobras opera em leve alta, subindo 0,06% (ON, a R$ 15,34) e 0,48% (PN, a R$ 14,64). A Vale cai 0,37% (R$ 29,34) e 0,43% (PNA, a R$ 27,78). Entre os bancos, o Itaú Unibanco tem baixa de 0,78% (R$ 37,71), e Banco do Brasil, de 0,98% (R$ 33,09).
O Bradesco registra desvalorização de 1,02% (R$ 31,77). O portal Poder360 publicou nesta quinta-feira que investigadores da Lava Jato abriram inquérito para investigar possível fraude e falha no sistema de controle interno do Bradesco que permitiu o pagamento de R$ 220 mil em propina. Procurado pela agência Bloomberg, o banco afirmou que não iria comentar a notícia.

