O preço do petróleo no mercado internacional registrou uma alta significativa na manhã desta segunda-feira (2), primeiro dia útil após a ofensiva militar dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, que resultou na morte de pelo menos centenas de pessoas, incluindo o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, e outras autoridades de alto escalão.
Por volta das 12h, o contrato futuro do petróleo tipo Brent, referência global, estava sendo negociado em Londres a cerca de US$ 79 o barril, um aumento de aproximadamente 7,6%. O petróleo WTI, negociado em Nova York, também apresentou valorização, cotado a pouco mais de US$ 71 o barril, com alta de cerca de 6%. As cotações dos produtos variam constantemente, refletindo a dinâmica do mercado, que opera 24 horas por dia durante os dias úteis.
No Brasil, as ações da Petrobras na B3 (Bolsa de Valores de São Paulo) eram negociadas a R$ 44,39, com um aumento de 3,90%. Analistas apontam que a elevação dos preços do petróleo está ligada à situação crítica do Estreito de Ormuz, que conecta os golfos Pérsico e de Omã e é responsável por cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás.
O economista Rodolpho Sartori, da agência classificadora de risco de crédito Austin Rating, explicou à Agência Brasil que o Estreito de Ormuz é a principal rota para o transporte de petróleo proveniente do Irã, Arábia Saudita e Iraque. “O fechamento do Estreito de Ormuz resultaria em uma queda acentuada na oferta, elevando os preços de imediato”, afirmou. No sábado, dia dos primeiros ataques, houve relatos de centenas de embarcações ancoradas, impossibilitadas de atravessar o estreito. Sartori destacou que o barril do Brent chegou a ter um aumento de 13% nesta segunda-feira, superando a marca de US$ 80. Ele observou que essa alta é indicativa da volatilidade dos preços em cenários de conflito e que, enquanto a situação persistir e o Estreito de Ormuz permanecer fechado, os preços do petróleo deverão continuar elevados.
Otávio Oliveira, gerente da tesouraria do Banco Daycoval, ressaltou que a preocupação global não está na produção de petróleo, mas na logística. A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep+) anunciou no domingo (1º) um aumento na produção para garantir a oferta do combustível. “A Opep tem capacidade produtiva ociosa suficiente para compensar uma possível retirada do Irã do mercado global de petróleo”, avaliou. No entanto, Oliveira alertou para a complexidade logística do Estreito de Ormuz, que é estreito e pode ser facilmente bloqueado em um conflito. Ele acrescentou que a interrupção do tráfego de navios poderia causar desordem em todas as cadeias produtivas.
Apesar de ser um exportador de petróleo, o Brasil pode ser afetado, pois importa derivados de óleo bruto que chegariam ao país a preços elevados. Sartori também indicou que, se a guerra se prolongar, a alta dos preços do petróleo pode resultar em um repasse de custos ao consumidor, provocando um aumento na inflação. Oliveira não descarta que o conflito possa impactar a magnitude do corte de juros no Brasil. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central já anunciou a intenção de reduzir a taxa básica de juros, a Selic, na reunião de março. “É possível que esse corte seja menos significativo do que o esperado, talvez de 0,25 ponto percentual em vez de 0,50 p.p.”, observou. Atualmente, a Selic está em 15% ao ano, e uma taxa menor tende a estimular a atividade econômica e a criação de empregos.
O dólar também apresentou alta nesta segunda-feira, interrompendo uma trajetória de queda das últimas semanas, quando atingiu seu menor valor em 21 meses. Por volta das 12h, a cotação da moeda estrangeira estava próxima a R$ 5,20, com um aumento de cerca de 1%. Oliveira explicou que, em um primeiro momento, ocorre um fenômeno de “fuga do risco”, com investidores migrando recursos de países emergentes, considerados arriscados, para economias mais consolidadas. “Isso resulta na venda do real e na compra de ativos como o dólar, que se valoriza globalmente, além de outras moedas, como o iene japonês”, detalhou.
Sartori considera o cenário do dólar complexo. “Em períodos anteriores, incertezas globais costumavam fortalecer o dólar, mas estamos percebendo uma mudança de paradigma”, comentou. Ele avaliou que a questão geopolítica sob a gestão do presidente Donald Trump traz incertezas que afetam a própria moeda americana. “É natural que haja um repique no dólar nos primeiros dias de conflito, mas não vemos mais a valorização abrupta do dólar em resposta a conflitos como ocorria anteriormente. Acredito que a moeda americana oscile entre R$ 5,20 e R$ 5,25”, concluiu Sartori.
Extraído de Agência Brasil

