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Dólar sobe com percepção de risco fiscal no radar do mercado; Bolsa fecha estável

Por Folha de São Paulo

14/06/2024 18h00 — em
Economia



SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Num dia de agenda esvaziada, o dólar registrou leve alta de 0,27% e terminou o dia cotado a R$ 5,381, com a percepção de risco fiscal do país ainda no radar de investidores. Já a Bolsa brasileira teve variação positiva de 0,07%, fechando praticamente estável aos 119.662 pontos.

Na semana, a moeda americana acumula alta de 1,07%, e o Ibovespa, recuo de 0,91%.

No início da tarde, houve um gatilho positivo para o mercado local. Após reunião com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o presidente da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), Isaac Sidney, afirmou publicamente que os participantes do encontro reafirmaram o apoio ao ministro e saíram convencidos sobre a determinação de Haddad para buscar o reequilíbrio das contas públicas.

"Nós saímos convencidos desse encontro de que o ministro Fernando Haddad está determinado a buscar o equilíbrio das contas públicas, mas também saímos convencidos de uma disposição firme que ele tem para fazer o diálogo dentro do próprio governo, para expandir esse diálogo para o Congresso Nacional, que é um poder fundamental nessa equação de busca do equilíbrio fiscal e também na interlocução que ele tem feito com o empresariado", afirmou.

No encontro com o ministro estavam presentes também Haddad, André Esteves, fundador do BTG Pactual, Milton Maluhy (Itaú), Marcelo Noronha (Bradesco) e Mário Leão (Santander).

A fala soma-se a tentativas do governo federal de mostrar apoio à agenda de Haddad. Nomes como Simone Tebet, Geraldo Alckmin o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deram afagos ao ministro da Fazenda na quinta (13), gerando alívio momentâneo no mercado.

A reação ocorreu após dúvidas entre investidores sobre a força do ministro dentro do Executivo, que aumentaram a percepção de risco fiscal do Brasil e levaram o dólar à marca de R$ 5,40 nesta semana.

Após a fala de Sidney, o Ibovespa chegou a ultrapassar os 120 mil pontos e o dólar engatou queda, mas os movimentos desaceleraram.

Mais cedo, o Banco Central divulgou que seu índice de atividade econômica, o IBC-Br, teve variação positiva de 0,01% em abril na comparação com o mês anterior, indicado estagnação da economia do Brasil.

O resultado marcou uma melhora em relação à queda de 0,36% do indicador em março, mas ficou bem abaixo da expectativa em pesquisa da Reuters de alta de 0,45%.

"Sem grandes destaques no dia de hoje. No cenário doméstico, as incertezas políticas têm feito preço, e investidores seguem atentos às declarações de membros do governo. Ontem, Haddad e Tebet abordaram um plano de contenção de gastos", diz a equipe da Ativa Investimentos.

Ao longo da semana, o dólar obteve ganhos contínuos contra o real em meio às preocupações do mercado com a área fiscal, fomentadas por derrotas do governo no Congresso, declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ruídos em torno da estabilidade do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, no cargo.

A divisa norte-americana fechou acima de R$ 5,40 na quarta-feira (12) pela primeira vez desde janeiro de 2023, à medida que os investidores perdiam confiança no compromisso fiscal do governo.

Também houve aumento na percepção de que Haddad, um defensor do ajuste das contas públicas dentro do Executivo, perdia força em meio às pressões vinda tanto de dentro do governo quanto de parlamentares, o que só foi contido por falas de Lula na quinta-feira exaltando o trabalho ministro.

Apesar de o dólar devolver alguns de seus ganhos na véspera, quando encerrou o dia cotado a R$ 5,36, em baixa de 0,66%, os fatores políticos da semana bloquearam o maior apetite por risco visto no exterior, onde crescia o otimismo pelo futuro da política monetária dos EUA.

Após dados de preços ao consumidor melhores do que o esperado na quarta-feira, os investidores elevaram suas apostas sobre um corte de juros pelo banco central dos EUA em setembro, fazendo o dólar acumular algumas perdas ante seus pares.

Quanto mais o banco central dos EUA cortar os juros, pior para o dólar, que se torna comparativamente menos interessante quando os rendimentos dos títulos do Tesouro americano diminuem.


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