RIO - O dólar comercial opera em alta contra o real nesta quinta-feira, avançando 0,38% e cotado a R$ 3,143, enquanto, na B3 (antiga Bovespa), o índice de referência Ibovespa recua 0,51%, aos 75.608 pontos. Pesa sobre ativos emergentes, como as ações locais e o real, o rebaixamento da China, além de os investidores também aproveitarem para realizar lucros. Atenua os movimentos locais a divulgação de dados sobre inflação abaixo da esperada.
A agência de classificação de risco S&P Global Ratings rebaixou a nota de crédito soberano da China em um degrau nesta quinta-feira, para A+ de AA-, citando o aumento dos riscos econômicos e financeiros. O rebaixamento da S&P segue-se a um movimento similar da Moody’s em maio e acontece no momento em que o governo lida com os desafios de conter os riscos financeiros derivados de anos de estímulo alimentado pelo crédito diante da necessidade de cumprir metas oficiais de crescimento.
“O rebaixamento reflete nossa avaliação de que um período prolongado de forte crescimento do crédito aumentou os riscos econômicos e financeiros da China”, disse a S&P em comunicado, acrescentando que a perspectiva é estável.
O rebaixamento afetou os preços das commodities, sobretudo o minério de ferro. A cotação caiu 2%, para US$ 73,79 a tonelada. As ações da Vale (ON) recuam 1,56%, por R$ 32,65.
Entre os destaques da Bolsa estão as ações da Gol. A companhia aérea caía mais de 5,6% pela manhã, depois de o jornal “Estado de S. Paulo” publicar notícia que relaciona o sócio-controlador Henrique Constantino à investigação da Lava-Jato. Mas o papel deu um salto de R$ 13.16 para R$ 14,77 imediatamente após o presidente da Delta, Glen Hauenstein, falar em evento nos EUA que “provavelmente vai aumentar sua participação na Gol”. Agora, as ações da empresa avançam 5,96%, por R$ 14,38.
Na agenda doméstica, a prévia da inflação no país, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) desacelerou para 0,11% em setembro, após alta de 0,35%. Este é o menor resultado para o mês desde 2006, quando foi de 0,05%. Em setembro de 2016, o IPCA-15 havia sido 0,23%. No resultado acumulado do ano, a inflação ficou em 1,90%, bem abaixo dos 5,90% de igual período de 2016. Nos doze meses, o índice foi de 2,56%, abaixo dos 2,68% do período imediatamente anterior. Ambos os resultados são os mais baixos para um mês de setembro desde 1998 (quando as taxas foram de 1,63% e 2,45%, respectivamente).
Ontem, o dólar ganhou força em escala global, com o “dollar index” subindo 0,46% após anúncio da decisão do Federal Reserve (Fed, o bc americano). Os juros dos EUA foram mantidos na faixa de 1% a 1,25%, mas com a indicação de que a terceira alta no ano de fato pode acontecer.


