RIO - O dólar comercial avançou 1,6% nesta quarta-feira, cotado a R$ 3,171 para venda, acompanhando o desempenho da moeda no mercado internacional depois de dado mostrar geração de emprego maior que a esperada nos EUA. Foi o maior patamar de fechamento em mais de um mês. O mercado de trabalho mais aquecido eleva a pressão pelo aumento de juros no país, que deve subir suas taxas básicas na semana que vem. Globalmente, o dólar avança 0,4% contra as dez principais divisas do mundo. A queda das commodities também foi determinante para a firmar o dólar no campo positivo. Também movimentou a sessão do câmbio a informação de uma fonte anônima dada à agência Bloomberg, segundo a qual o governo está avaliando entre as opções para reforçar sua arrecadação a elevação da alíquota do Imposto sobre Operação Financeira (IOF) em transações cambiais — o Banco Central 9BC) negou.
No mercado acionário, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) caiu 1,56%, aos 64.718 pontos. Foi a terceira queda seguida da Bovespa. A Bolsa brasileira costuma cair quando as crescem as apostas de aumento de juros nos EUA porque o investimento no Brasil tende a perder um pouco de sua atratividade quando os títulos americanos passam a pagar mais.
As principais pressões negativas da Bolsa vieram de Petrobras, Vale e os bancos. As ações da Petrobras despencaram 6,17% (ON, com voto, a R$ 14,90) e 4,15% (PN, sem voto, por R$ 14,55). A companhia foi prejudicada pela desvalorização do petróleo no mercado internacional. A commodity registra sua maior queda em mais de um ano depois que dados divulgados hoje mostrando que o aumento da oferta do produto pelas petrolíferas nos EUA está anulando o efeito dos cortes de produção em membros da Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep) e seus parceiros. O barril do tipo Brent despenca 5%, a US$ 53,51, menor valor desde novembro do ano passado.
A estatal também é impactada pela decisão da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que determinou que ela refaça e reapresente as demonstrações financeiras anuais completas de 2013, 2014 e 2015, a fim de contemplar estornos de efeitos contábeis decorrentes da prática de contabilidade de “hedge” (proteção cambial), informou a estatal na noite de terça-feira. A estatal disse que pode recorrer da decisão e que tomará as medidas necessárias para defesa de seus interesses.
“Se a recomendação da CVM prevalecer (...), isso vai levar provavelmente ao registro de lucros em 2016, favorecendo o spread entre as ações PN e ON. Em outras palavras, a PN provavelmente seria negociada com um prêmio sobre a ON”, escreveu o analista Diogo Mendes, do Itaú BBA. “O potencial de ganhos da Petrobras para o ano fechado de 2016 (...) seria de R$ 18,5 bilhões (...), levando ao pagamento de R$ 4,6 bilhões de dividendos.”
De acordo com Mendes, a ação PN — que hoje vale menos que a ON — tende a passar a valer mais que as ON, uma vez que os papéis preferenciais têm vantagem no recebimento de dividendos.
Já o Bradesco BBI estima um lucro líquido de R$ 28 bilhões em 2016 com a mudança, gerando um pagamento de R$ 8 bilhões em dividendos.
— Aqui no Brasil, o cenário político pesou por ser preocupante, com delações da Odebrecht e as especulações sobre a chamada “nova lista do Janot”. Lá fora, tivemos um cenário ruim para commodities e a geração de vagas nos EUA pressionando os juros. No câmbio, essa questão dos juros americanos foi muito mais importante do que o rumor sobre o IOF, que acabou sendo negado pelo BC — afirmou Luiz Roberto Monteiro, operador da corretora Renascença. — No caso da Petrobras, a desvalorização se dá muito mais em função da queda do petróleo do que por causa da decisão da CVM, que influencia mas não tanto.
A Vale registrou desvalorização de 2,59% (ON) e 2,72% (PNA), em dia de queda de 2,91% do minério de ferro. O Bradesco caiu 1,7%, enquanto o Banco do Brasil perdeu 2,36%, e o Itaú Unibanco, 1,14%
Apenas empresas exportadoras sobem hoje na Bolsa, favorecidas pela alta do dólar. A Ambev avançou 1,78%, enquanto a Embraer subiu 2,45%. A Fibria saltou 3,54%.
A queda da Bolsa se deu apesar da divulgação de dados surpreendentemente positivos sobre a produção industrial brasileira, que iniciou 2017 interrompendo 34 meses consecutivos de quedas e registrou alta de 1,4% em janeiro, em relação ao mesmo mês do ano passado. O mercado esperava queda de 0,5%. Na comparação com dezembro, o setor ficou estagnado, tendo um ligeiro recuo de 0,1%, em relação a dezembro. O mercado previa contração de 0,8%.
Nos EUA, segundo números divulgados nesta quarta-feira pelo ADP Research Institute, as empresas do país abriram 298 mil postos de trabalho em fevereiro, muito mais do que as 187 mil esperadas pelos economistas. A geração de empregos é um dos dados-chave para a decisão do Federal Reserve (Fed, banco central americano) sobre os juros do país na semana que vem.
Na Europa, os mercados acionários europeus fecharam em leve alta nesta quarta-feira, com destaque para a alta da Adidas e da companhia de segurança britânica G4S. As ações da Adidas avançaram 9,4%, para uma máxima recorde. A empresa elevou as metas de crescimento das vendas e de lucro, depois de registrar aumento de 12,5% nas vendas em 2016. As ações da empresa alemã de roupas esportivas avançaram 65% no ano passado, enquanto as da concorrente Nike caíram 3%. O índice de referência Euro Stoxx subiu 0,13%, enquanto a Bolsa de Paris avançou 0,11%. A Bolsa de Londres e a de Frankfurt fecharam praticamente estáveis.
Em Wall Street, o Dow Jones caiu 0,33%, enquanto o S&P 500 recuou 0,23%. A Nasdaq, porém, fechou estável (+0,06%).



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