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Dólar sobe 0,8% e fecha em R$ 3,19; Ibovespa tem 4ª queda seguida

SÃO PAULO e RIO - O mercado financeiro tem uma sessão volátil nesta quinta-feira. No mercado de câmbio, a moeda americana abriu em alta, inverteu o sinal e, no meio da tarde, voltou a subir. A divisa americana acabou encerrando valendo R$ 3,196 para venda, uma valorização de 0,78%. Os investidores operaram com cautela, na véspera da divulgação de dados oficiais sobre o mercado de trabalho americano que vão determinar uma provável elevação de juros nos Estados Unidos na próxima semana. No exterior, o Dollar Index, indicador que acompanha o desempenho do dólar frente a uma cesta de dez moedas, sobe 0,07%, em sessão também volátil.

Na Bolsa de Valores, o principal índice de ações do mercado brasileiro, também começou o dia em queda, seguindo tendência das bolsas no exterior, inverteu o sinal e voltou a cair à tarde. No fim do pregão, o Ibovespa perdeu 0,21% aos 64.585 pontos, influenciado pela queda da desvalorização do preço do petróleo, que atinge as mínimas do ano no exterior após aumento do estoque nos EUA.

— Foram dois fatores. Um deles é o rumor, que começou a ser noticiado ontem, sobre o possível aumento de IOF em operações de câmbio. Outra razão é a expectativa com relação ao chamado “payroll” nos EUA, que será divulgado amanhã — disse Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora. — É preocupante porque grande parte das aplicações que entram no Brasil são operações que não tem IOF nem IR. O investidor estrangeiro acaba pensando que esse tipo de transação pode vir a ser alvo de taxação, o que iria impactar negativamente o fluxo de dólares para o país.

Queda na cotação do petróleo e um número mais fraco de inflação na China divulgado hoje fazem os investidores agir com cautela. O CPI de fevereiro na China recuou 0,8%, puxado por alimentos, enquanto o mercado esperava uma alta de 1,6%. Já o barril do petróleo tipo Brent cai 2% após ter recuado mais de 5% na sessão anterior, ainda reagindo ao aumento dos estoques do produto nos EUA, segundo operadores.

No front político doméstico, a expectativa é em relação à divulgação da “lista de Janot”, que deve sair amanhã.

— Os arquivos referentes às delações da Odebrecht devem vir à tona e o mercado está monitorando — diz um operador.

No exterior, o mercado está na expectativa da divulgação do relatório de emprego nos Estados Unidos, o payroll, nesta sexta. Um número mais forte eleva a possibilidade de o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) aumentar os juros. Nesta semana, o número de empregos do setor privado (ADP) já mostrou mais vigor. Foram criados 298 mil empregos formais em fevereiro, acima dos 187 mil esperados.

“O mercado já se convenceu que são de 100% as chances de o Fed aumentar os juros na próxima semana”, escrevem em relatório os analistas da Guide Investimentos.

Na Bolsa, os papéis ordinários da Embraer se valorizaram 2,08% e fecharam valendo R$ 19,18. A empresa apresentou lucro de R$ 648,3 milhões no quarto trimestre, 52,2% maior do que nos mesmo período do ano passado. No ano, a fabricante de aviões teve lucro de R$ 585,4 milhões, um aumento de 142,3% em relação aos R$ 241,6 milhões de 2015.

“O lucro líquido do trimestre foi uma surpresa e veio acima das expectativas”, escreve o analista Celson Plácido, da XP Investimentos.

Entre os papéis mais negociados, Vale PNA está em leve alta de 0,70% a R$ 28,85, enquanto os papéis preferenciais da Petrobras recuaram 0,34% a R$ 14,50, influenciados pela baixa do preço do produto no exterior.

As ações de bancos, que têm maior peso no Ibovespa, também apresentam desempenho negativo. As PN do Bradesco tiveram perda de 0,89%, a R$ 32,15, enquanto o Banco do Brasil recuou 1,03%. Os papéis preferenciais do Itaú Unibanco, porem, subiram 0,31% a R$ 39,10.

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