SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A cotação do dólar teve alta de 0,83% nesta sexta-feira (7) e chegou ao patamar inédito de R$ 4,322. Na máxima do dia, a moeda tocou os R$ 4,325, outro recorde.
O dólar turismo está a R$ 4,50, alta de 1,53%. Em casas de câmbio, o preço varia conforme a cidade. Na compra, a cotação está a partir de R$ 4,51. A cotação do cartão pré-pago está, em média, a R$ 4,75.
Na semana, a moeda americana acumula alta de 0,8%. No ano, a alta é de 7,6%, superando 2019, quando a moeda subiu 4%.
O movimento reflete a combinação do corte de juros no Brasil com a melhora da economia americana, o que fortalece o dólar ante o real, em meio ao temor de investidores com o efeito econômico do coronavírus.
Nesta sexta, foi divulgada a criação de 225 mil vagas de emprego nos Estados Unidos em janeiro, bem acima da estimativa da economistas ouvidos pela Bloomberg, que esperavam 165 mil novas vagas.
A alta do dólar de hoje é um movimento global, totalmente externo. A economia americana está forte e, apesar da taxa de desemprego ter subido um pouquinho, os EUA continuam com pleno emprego, diz Cristiane Quartaroli, economista Ourinvest.
O desemprego nos Estados Unidos subiu de 3,5% em dezembro para 3,6% em janeiro, ainda no menor nível desde 1969.
O recorde do dólar, porém, é nominal. Em termos reais (corrigidos pela inflação), a moeda americana ainda está longe de sua máxima de 2002. Se for considerado apenas o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), calculado pelo IBGE, o pico de R$ 4 naquele ano, equivale a cerca de R$ 10,80 hoje. Caso também seja levada em conta a inflação americana, o valor corrigido seria cerca de R$ 7,50.
Enquanto a economia americana acelera, a inflação brasileira registrou a menor variação para janeiro desde o início do Plano Real, em julho de 1994. Segundo dados do IBGE divulgados nesta sexta, a inflação de janeiro registrou alta de 0,21%, abaixo da expectativa do mercado.
Segundo Cristiane, sem um cenário positivo da economia brasileira, estrangeiros retiram recursos do país, o que eleva a cotação. Tínhamos perspectiva de maior crescimento esse ano e, agora, o mercado sente que não vai ser tudo isso. A confiança do empresariado não melhorou, diz.
De acordo com Cleber Alessie Machado, operador da Commcor, o movimento cambial desta sessão reflete uma "reação limitada" à fraca inflação brasileira, já que o arrefecimento dos preços -que pode gerar redução do diferencial de juros entre Brasil e concorrentes- foi compensado pela sinalização do Banco Central de uma interrupção no seu ciclo de cortes de juros.
Na quarta (5), o Copom reduziu a Selic para 4,25% ao ano, nova mínima histórica. A queda na taxa básica de juros contribui para a depreciação do real por meio do carry trade, prática de investimento em que o ganho está na diferença do câmbio e do juros, pois o investidor toma dinheiro a uma taxa de juros menor em um país, no caso, os EUA, para aplicá-lo em outro, com outra moeda, onde o juro é maior, o Brasil. Com juros baixos no Brasil, essa operação deixa de ser vantajosa e estrangeiros retiram seus recursos, em dólar, do país, o que eleva a cotação da moeda.
No exterior, o dólar se valoriza contra boa parte das principais moedas, especialmente emergentes
"É um movimento global: o dólar sobe lá fora, e, ao mesmo tempo, há uma dinâmica ruim no cenário doméstico para o real. Nosso diferencial de juros é muito ruim em relação a nossos pares, não há fluxo estrangeiro -na verdade, há saídas- e não temos grau de investimento", diz Machado.
Nesta sexta, o Banco Central ofereceu 13 mil contratos de swap cambial para rolagem do vencimento abril de 2020.
Além da melhora da economia americana, Cristiane, da Ourinvest, aponta que a preocupação com os impactos econômicos do coronavírus também provoca uma aversão a risco no mercado.
Em relatório, o banco central americano Fed destaca que os principais riscos para a economia recuaram e a probabilidade de recessão diminuiu, mas, dentre os riscos existentes estão as consequências do surto crescente de coronavírus na China, valores elevados de ativos e níveis quase recordes de dívida corporativa de baixo grau que o Fed teme que possa se tornar um problema em uma crise econômica.
"O recente surgimento do coronavírus, no entanto, pode levar a rupturas na China que se espalhariam para o resto da economia global", diz o relatório do Fed para o Congresso dos EUA sobre o estado da economia e da política monetária.
Nesta sessão, as principais Bolsas globais operam em queda. Nos Estados Unidos, Dow Jones recua 0,9%, S&P 500, 0,5% e Nasdaq, 0,54%.
A Bolsa brasileira cai 1%, a 113.770 pontos. Na sessão, o risco-país brasileiro medido pelo CDS (Credit Default Swap) de cinco anos subiu 9%, a 99 pontos. Na quarta (5), o índice foi a mínima em quase uma década, a 96,6 pontos.
Também contribui para o viés negativo o forte declínio da produção industrial na Alemanha. Em dezembro, a indústria no país caiu 3,5%, maior queda em uma década. Economistas previam um leve declínio de 0,2%. O dado reforça a percepção do mercado de que a economia alemã possa entrar em recessão.
O dólar turismo está a R$ 4,50, alta de 1,53%. Em casas de câmbio, o preço varia conforme a cidade. Na compra, a cotação está a partir de R$ 4,51. A cotação do cartão pré-pago está, em média, a R$ 4,75.
Na semana, a moeda americana acumula alta de 0,8%. No ano, a alta é de 7,6%, superando 2019, quando a moeda subiu 4%.
O movimento reflete a combinação do corte de juros no Brasil com a melhora da economia americana, o que fortalece o dólar ante o real, em meio ao temor de investidores com o efeito econômico do coronavírus.
Nesta sexta, foi divulgada a criação de 225 mil vagas de emprego nos Estados Unidos em janeiro, bem acima da estimativa da economistas ouvidos pela Bloomberg, que esperavam 165 mil novas vagas.
A alta do dólar de hoje é um movimento global, totalmente externo. A economia americana está forte e, apesar da taxa de desemprego ter subido um pouquinho, os EUA continuam com pleno emprego, diz Cristiane Quartaroli, economista Ourinvest.
O desemprego nos Estados Unidos subiu de 3,5% em dezembro para 3,6% em janeiro, ainda no menor nível desde 1969.
O recorde do dólar, porém, é nominal. Em termos reais (corrigidos pela inflação), a moeda americana ainda está longe de sua máxima de 2002. Se for considerado apenas o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), calculado pelo IBGE, o pico de R$ 4 naquele ano, equivale a cerca de R$ 10,80 hoje. Caso também seja levada em conta a inflação americana, o valor corrigido seria cerca de R$ 7,50.
Enquanto a economia americana acelera, a inflação brasileira registrou a menor variação para janeiro desde o início do Plano Real, em julho de 1994. Segundo dados do IBGE divulgados nesta sexta, a inflação de janeiro registrou alta de 0,21%, abaixo da expectativa do mercado.
Segundo Cristiane, sem um cenário positivo da economia brasileira, estrangeiros retiram recursos do país, o que eleva a cotação. Tínhamos perspectiva de maior crescimento esse ano e, agora, o mercado sente que não vai ser tudo isso. A confiança do empresariado não melhorou, diz.
De acordo com Cleber Alessie Machado, operador da Commcor, o movimento cambial desta sessão reflete uma "reação limitada" à fraca inflação brasileira, já que o arrefecimento dos preços -que pode gerar redução do diferencial de juros entre Brasil e concorrentes- foi compensado pela sinalização do Banco Central de uma interrupção no seu ciclo de cortes de juros.
Na quarta (5), o Copom reduziu a Selic para 4,25% ao ano, nova mínima histórica. A queda na taxa básica de juros contribui para a depreciação do real por meio do carry trade, prática de investimento em que o ganho está na diferença do câmbio e do juros, pois o investidor toma dinheiro a uma taxa de juros menor em um país, no caso, os EUA, para aplicá-lo em outro, com outra moeda, onde o juro é maior, o Brasil. Com juros baixos no Brasil, essa operação deixa de ser vantajosa e estrangeiros retiram seus recursos, em dólar, do país, o que eleva a cotação da moeda.
No exterior, o dólar se valoriza contra boa parte das principais moedas, especialmente emergentes
"É um movimento global: o dólar sobe lá fora, e, ao mesmo tempo, há uma dinâmica ruim no cenário doméstico para o real. Nosso diferencial de juros é muito ruim em relação a nossos pares, não há fluxo estrangeiro -na verdade, há saídas- e não temos grau de investimento", diz Machado.
Nesta sexta, o Banco Central ofereceu 13 mil contratos de swap cambial para rolagem do vencimento abril de 2020.
Além da melhora da economia americana, Cristiane, da Ourinvest, aponta que a preocupação com os impactos econômicos do coronavírus também provoca uma aversão a risco no mercado.
Em relatório, o banco central americano Fed destaca que os principais riscos para a economia recuaram e a probabilidade de recessão diminuiu, mas, dentre os riscos existentes estão as consequências do surto crescente de coronavírus na China, valores elevados de ativos e níveis quase recordes de dívida corporativa de baixo grau que o Fed teme que possa se tornar um problema em uma crise econômica.
"O recente surgimento do coronavírus, no entanto, pode levar a rupturas na China que se espalhariam para o resto da economia global", diz o relatório do Fed para o Congresso dos EUA sobre o estado da economia e da política monetária.
Nesta sessão, as principais Bolsas globais operam em queda. Nos Estados Unidos, Dow Jones recua 0,9%, S&P 500, 0,5% e Nasdaq, 0,54%.
A Bolsa brasileira cai 1%, a 113.770 pontos. Na sessão, o risco-país brasileiro medido pelo CDS (Credit Default Swap) de cinco anos subiu 9%, a 99 pontos. Na quarta (5), o índice foi a mínima em quase uma década, a 96,6 pontos.
Também contribui para o viés negativo o forte declínio da produção industrial na Alemanha. Em dezembro, a indústria no país caiu 3,5%, maior queda em uma década. Economistas previam um leve declínio de 0,2%. O dado reforça a percepção do mercado de que a economia alemã possa entrar em recessão.
