Início Economia Dólar sobe 0,6%, a R$ 3,30, com exterior pesando sobre cenário doméstico
Economia

Dólar sobe 0,6%, a R$ 3,30, com exterior pesando sobre cenário doméstico

RIO - O dólar comercial sobe frente ao real e a Bolsa opera perto da estabilidade, com notícias positivas na visão dos investidores — como a aprovação da reforma trabalhista em comissão do Senado, a redução da meta de inflação e a alta das commodities — sendo contrabalançada pelo desempenho negativo dos mercados externos e pela valorização do dólar em escala global após divulgação do PIB dos EUA.

O dólar comercial sobe 0,6%, cotado a R$ 3,303 para venda. Na B3 (antiga Bovespa), o índice de referência Ibovespa sobe apenas 0,08%, aos 62.057 pontos.

A divisa americana iniciou a sessão em queda diante das outras principais moedas mas ganhou força no câmbio local após a divulgação da PIB americano no primeiro trimestre do ano. A atividade econômica no país avançou 1,4% comparada à dos três meses anteriores, superando as expectativas dos economistas.

No destaque do notícia do dia está a decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN), que, em reunião extraordinária esta manhã, determinou que o objetivo do Banco Central (BC) para a inflação cairá em 2019 de 4,5% para 4,25%. Isso já era esperado, mas o CMN surpreendeu ao estabelecer a meta para 2020 em 4%. O intervalo de tolerância para os próximos anos será de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, como já se faz atualmente. É a primeira vez desde 2003 que a meta é reduzida. Desde 2005 a meta oficial de inflação do governo é de 4,5% ao ano.

No mercado, o efeito principal dessa notícia se dá nos juros futuros longos. O contrato DI com vencimento em janeiro de 2021 cai de 10,13% para 10,09%.

Segundo Solange Srour, economista da ARX Investimentos, a decisão de reduzir a meta para 4,25% é, além de bem vinda, necessária.

— A expectativa de inflação para 2019 já está em 4,25%, segundo o boletim Focus. Se o CMN mantivesse a meta em 4,5%, a expectativa subiria até convergir para esse nível. Isso desancoraria a inflação e atrapalharia o ciclo atual de queda de juros. Aconteceu algo parecido em 2007, quando o CMN definiu a meta para 2009 em 4,5% no momento em que a expectativa pelo Focus já estava em 4% para aquele ano — disse Solange.

Para 2020, a meta foi considerada uma surpresa positiva, segundo Solange.

— Ampliar o prazo de convergência é muito saudável. É o que os países que já tem a inflação controlada fazem. Diminui a incerteza para os agentes econômicos mas não quer dizer que não vai haver incerteza, dada toda o cenário por que passamos. se mantido o quadro fiscal controlado, é claro — afirmou.

De acordo com a economista, a decisão do CMN terá impacto nos juros longos dentro do médio prazo.

Também é destaque a aprovação da reforma trabalhista, por 16 votos a nove, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) no Senado em sessão na noite de ontem.

Siga-nos no

Google News

Receba o Boletim do Dia direto no seu e-mail, todo dia.

Comentários (0)

Deixe seu comentário

Resolva a operação matemática acima
Seja o primeiro a comentar!