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Dólar opera acima dos R$ 5,12 com pessimismo sobre juros americanos; Bolsa oscila

Por Folha de São Paulo

12/04/2024 10h30 — em
Economia



SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O dólar mantinha sua trajetória de alta nesta sexta-feira (12) e caminhava para encerrar a semana acima da marca dos R$ 5,10, ainda impactado por dados recentes de inflação nos Estados Unidos que enterraram apostas de queda de juros no país neste semestre.

A perspectiva de juros mais altos nos Estados Unidos beneficia o dólar pois aumenta a rentabilidade da renda fixa americana, atraindo recursos para o país e penalizando mercados de maior risco, como o Brasil. Os últimos dados de inflação desencaderaram uma alta global da moeda americana.

O movimento também pesa contra a Bolsa brasileira, que operava próxima da estabilidade, mas acumula queda desde a divulgação da inflação americana.

Na cena doméstica, as atenções se voltam para a decisão de um juiz federal de São Paulo de suspender do cargo o presidente do conselho de administração da Petrobras.

"As incertezas sobre as taxas de juros nos EUA e os recentes dados de atividade econômica no Brasil podem fomentar debates sobre um patamar mais alto para a Selic terminal. O real, por sua vez, pode enfrentar pressões de depreciação devido à persistente valorização do dólar", dizem analistas da Guide Investimentos.

Às 10h15, o Ibovespa tinha oscilação positiva de 0,02%, aos 127.422 pontos, enquanto o dólar subia 0,65%, cotado a R$ 5,123.

"A inflação americana, que chegou acima do esperado, acabou levando a um forte movimento de aversão a risco global, desencadeando uma grande pressão sobre a moeda americana, fazendo disparar", disse Márcio Riauba, gerente da Mesa de Operações da StoneX.

Dados de quarta-feira mostraram que o índice de preços ao consumidor dos EUA aumentou 0,4% no mês passado, depois de avançar pela mesma margem em fevereiro. Nos 12 meses até março, o índice aumentou 3,5%. Economistas consultados pela Reuters previam que o índice subiria 0,3% no mês e 3,4% na base anual.

Nem mesmo um relatório separado, mostrando que o índice de preços ao produtor dos EUA subiu menos do que o esperado em março, conseguiu aplacar o pessimismo do mercado.

"Os dados recentes corroboram uma precificação de apenas dois cortes de juros nos Estados Unidos, e muitos já começam até a especular talvez nenhuma queda em 2024, (com) visão de uma economia ainda forte e mercado de trabalho resiliente. Diante desse cenário, a gente só pode esperar mesmo um dólar forte para os próximos dias."

Nesta sexta, o Itaú revisou sua projeção para o dólar no fim de 2024, aumentando de R$ 4,90 para R$ 5,00 a previsão de câmbio. Como justificativa, os analistas citam aumento de incertezas sobre o ciclo de corte de juros nos EUA, ainda que o efeito seja parcialmete compensado por uma Selic mais alta.

Já Eduardo Moutinho, analista de mercado da Ebury Bank, diz que a casa ainda não alterou suas apostas de valorização do real, afirmando que os últimos eventos geraram volatilidade, mas não mudaram os fundamentos de apostas sobre a moeda brasileira.

"A questão dos juros americanos pode realmente ser um impeditivo para a queda do dólar. Ainda temos dois dados de inflação até junho, basta que um deles venha abaixo do esperado para os mercados colocarem um corte de volta no cronograma do Fed. Até lá, mantemos nossa visão construtiva da moeda brasileira", diz Moutinho.

Na quinta (11), a Bolsa brasileira caiu sob pressão adicional de novos números do varejo doméstico. Investidores também repercutiram a decisão de política monetária do BCE (Banco Central Europeu), que manteve inalterados os juros básicos da região nesta manhã.

"O Ibovespa sentiu mais uma vez o peso da alta dos juros futuros. As vendas no varejo em fevereiro reforçaram a força da atividade econômica e, mesmo após o IPCA mais fraco revelado ontem, ajudou na reprecificação já em curso nos contratos futuros de juros, que embutem uma maior chance de desaceleração do ritmo ou até mesmo uma pausa na queda da Selic próximo do patamar de 10% ao ano", afirma Alexsandro Nishimura, economista e sócio da Nomos.

O volume de vendas do varejo registrou crescimento de 1% em fevereiro, na comparação com janeiro, indicam dados divulgados nesta quinta pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Com o resultado, o setor renovou o recorde de uma série histórica iniciada em 2000. A máxima anterior havia sido alcançada em outubro de 2020.

O avanço de 1% veio bem acima das projeções de analistas do mercado financeiro. A expectativa era de queda de 1%, de acordo com pesquisa da agência Reuters.

Pesou contra o Ibovespa, ainda, um recuo nas ações da Petrobras, em dia de baixa do petróleo no exterior.

Ao fim do dia, o Ibovespa fechou em queda de 0,51%, aos 127.396 pontos, segundo dados preliminares.

Já o dólar teve leve alta de 0,23%, cotado a R$ 5,089, após um relatório do Departamento do Trabalho americano que mostrou que o índice de preços ao produtor nos EUA subiu menos que o esperado. Com isso, a moeda americana renovou seu maior valor desde outubro de 2023.


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