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Dólar fecha em alta com ameaça de Putin de usar armas nucleares contra os EUA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O dólar abriu em alta nesta terça-feira (19) e manteve ganhos ao longo do dia, com os investidores demonstrando aversão ao risco após o presidente da Rússia, Vladimir Putin, ameaçar atacar os EUA e seus aliados com armas atômicas caso a Ucrânia use mísseis ocidentais contra seu território.

A moeda americana fechou com alta de 0,31%, cotada a R$ 5,766. Já a Bolsa terminou a sessão do dia com variação positiva de 0,33%, a 128.197 pontos, segundo dados da plataforma CMA.

Keone Kojin, economista da Valor Investimentos, afirmou que a alta do dólar reflete uma aversão ao risco -movimento conhecido como "flight to safety".

Esse comportamento ocorre em um momento de escalada das tensões geopolíticas, com os Estados Unidos autorizando a Ucrânia a utilizar mísseis de longo alcance.

Os mísseis podem chegar a 300 km de distância e atingir boa parte da Rússia europeia, segundo relatos não negados pela Casa Branca e amplamente comentados por seus aliados na Europa. Até então, o uso só podia ocorrer em áreas fronteiriças.

Em resposta, o governo de Vladimir Putin ameaçou considerar o uso de armas nucleares, intensificando as incertezas sobre os desdobramentos do conflito.

A escalada das tensões teve reflexos no principal índice de ações da Europa, que atingiu seu nível mais baixo em três meses, nesta terça.

O índice pan-europeu STOXX 600 fechou em queda de 0,45%, a 500,60 pontos, depois de recuar 1% mais cedo na sessão e atingir seu ponto mais baixo desde 8 de agosto. Ele registrou o terceiro dia consecutivo de perdas.

Segundo Kojin, essa nova tensão também preocupa investidores brasileiros, que temem uma guerra prolongada e suas possíveis consequências econômicas.

"O dólar abriu em alta principalmente por conta dessa preocupação com o risco global. É um movimento típico em momentos de incerteza extrema", explicou.

"Este novo protocolo nuclear da Rússia mexeu com o mercado", afirmou o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik. "E como é véspera de feriado, muitos agentes também se protegem na moeda norte-americana, ainda mais porque ainda esperam pela divulgação do pacote fiscal do governo", acrescentou.

O feriado do Dia da Consciência Negra manterá o mercado brasileiro fechado nesta quarta-feira, enquanto as operações ocorrem normalmente no exterior.

Para Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos, a expectativa pelo anúncio de corte de gastos manteve os índices da Bolsa brasileira e do dólar em alta.

"O mercado está reagindo de forma leve e positiva, mesmo com a notícia da postergação do anúncio do pacote de gastos", afirmou.

Segundo Moliterno, o mercado interpreta essa postergação como uma oportunidade para ajustes necessários, indicando que o governo pretende apresentar um pacote bem estruturado, sem margens para dúvidas, garantindo sua eficácia.

"A expectativa é que o pacote seja sólido e atenda às demandas do mercado", disse.

Em falas na quarta-feira (13), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que o pacote já está pronto e que o anúncio depende do presidente Lula.

A economia é estimada por integrantes do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em R$ 25 bilhões a R$ 30 bilhões em 2025. Já em 2026, o alívio é calculado em R$ 40 bilhões, totalizando um corte de R$ 70 bilhões.

Pelo cálculo de alguns agentes, há mais chances de o pacote sair a partir de quinta-feira (21), pós-feriado, já que o encontro do G20 no Rio de Janeiro termina nesta terça.

As taxas de juros dos contratos de DI (Depósito Interfinanceiro) com vencimento a partir de 2026 registraram queda nesta terça, de 13,316% para 13,22% , enquanto o mercado aguarda o pacote de medidas fiscais.

A redução reflete a expectativa de que as propostas do governo possam indicar maior controle dos gastos públicos no longo prazo, o que pode reduzir a necessidade de juros elevados no futuro.

"Temos no Brasil um movimento minimamente mais propenso ao risco. O rumor de que a apresentação do pacote fiscal pelo governo poderá atrasar ainda mais sequer conseguiu piorar o humor", comentou Matheus Spiess, analista da Empiricus Research.

Já os contratos de curto prazo, como o DI para janeiro de 2025, subira de 11,443% para 11,456% , em linha com a expectativa de que o Banco Central deve elevar a taxa básica de juros (Selic) em dezembro.

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