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Dólar fecha a R$ 3,396, com mercado observando negociações na Opep

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RIO - O dólar comercial fechou cotado a R$ 3,396, com valorização de 0,29%, num dia de volatidade, em que pesaram fatores externos e internos. No cenário externo, o recuo nos preços do petróleo e o avanço da economia americana empurraram a cotação para cima ao longo do dia — na máxima, a divisa chegou a R$ 3,415. No Brasil, o mercado aguarda a votação da PEC do teto dos gastos, hoje, no Senado, com ampla expectativa de aprovação — a questão, agora, é com qual placar. Além disso, desde o dia 22, terça-feira, o Banco Central não faz intervenções para atenuar as oscilações.

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) aprofundou as perdas, puxada por Petrobras e Vale. O Ibovespa, principal índice do mercado brasileiro, opera com declínio de 2,22%, a 61.462 pontos. Na véspera, o mercado brasileiro teve alta de 2,11%, com impulso do mineradora, que hoje é prejudicada pelo recuo no minério de ferro.

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— A Rússia, que é o maior produtor mundial de petróleo, não vai participar da reunião. E não se sabe o que esperar do encontro — comentou o diretor de operações da corretora Mirae, Pablo Spyer, lembrando, que o dólar segue na contramão das cotações.

Os preços do petróleo caíam nesta sessão com sinais de que, na véspera da reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), em Viena, os membros do grupo ainda não chegaram a um acordo. Amanhã, eles discutirão a proposta de reduzir a produção em cerca de um milhão de barris por dia, de cerca de 33,82 milhões de bpd em outubro. O barril do tipo WTI perde 3,74%, a US$ 45,32, e o Brent, referência para o mercado brasileiro, recua 3,69%, a US$ 46,46.

Nos EUA, com o impulso dos gastos do consumidor, a economia cresceu 3,2% de julho a setembro, maior ritmo em dois anos, mostram dados revisados, acima de leitura preliminar, que apontava 2,9%. O incremento dá ainda mais força às expectativas de alta dos juros pelo Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) na reunião do próximo dia 14. A alta das taxas no país tende a atrair capitais hoje alocados em outras partes do mundo — especialmente em economias emergentes, com o Brasil—, pressionando para cima o valor do dólar. A moeda sobe também ante outras moedas emergentes, com destaque para o rand sul-africano e os pesos chileno e mexicano.

— Os ótimos dados sobre a economia americana, com forte expansão no terceiro trimestre, deram força ao dólar — afirma Marcos Henrique Jamelli, analista de câmbio da Gradual Investimentos.

Os investidores observam a votação em primeiro turno, no Senado, da PEC dos gastos públicos, que ganhou relevo após a crise em torno de Geddel Vieira Lima, articulador do governo que se envolveu num escândalo de tráfico de influência e acabou deixando o cargo (Secretaria de Governo).

— O mercado já precificou a aprovação da PEC com 60 votos ou mais. Menos que isso seria ruim — diz Spyer, da Mirae.

O câmbio também foi influenciado pela briga entre comprados e vendidos para a formação da Ptax do mês, taxa que baliza diversos contratos cambiais, que será definida amanhã. No fechamento, os investidores costumam atuar para puxar as cotações do dólar conforme seus interesses.

As ações da Petrobras têm declínio de 5% nas ON (ordinárias, com direito a voto), a R$ 16,74, e 4,46% nas PN (preferenciais), a R$ 14,78, prejudicadas pela queda do petróleo.

Vale, que ontem saltou 7,3%, tem um dia de perdas. Os papéis ON cai 4,22% e os PN recuam 2,69%, acompanhando baixa dos preços do minério de ferro — a commodity registrou queda de 4,37% no porto de Qingdao, na China. A desvalorização do papel se dá apesar do anúncio de distribuição de juros sobre capital próprio, no valor de R$ 0,166 por ação. O mercado acompanha a apresentação da mineradora a investidores em Nova York, que acontece nesta sessão.

Nos EUA, os índices abriram operam estávéis: o Dow Jones recua 0,07% e S&P, 0,49%. Na Europa, apenas Paris opera em alta, com o CAC 40 avançando 0,48%. Em Frankfurt, o Dax perde 0,12%. Em Londres, o FTSE recua 0,88%.

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