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Dólar abre próximo da estabilidade nesta quinta após EUA encerrar paralisação do governo

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O dólar abriu próximo da estabilidade nesta quinta-feira (13) com os investidores avaliando o fim da paralisação do governo dos EUA, após aprovação de um pacote financeiro para custear o pagamento de salários dos servidores e o auxílio-alimentação.

Às 9h06, a moeda norte-americana estava em uma oscilação para baixo de 0,05%, cotada a R$ 5,2904. Na quarta-feira (12), a divisa dos EUA fechou em alta de 0,35%, cotado a R$ 5,292, após cinco pregões consecutivos de queda. O movimento reflete a busca dos investidores por segurança com o fim da paralisação do governo dos EUA.

O Congresso norte-americano aprovou um acordo para encerrar a mais longa paralisação do governo na história do país, após a Câmara votar pela retomada de programas de assistência alimentar, pagamento a centenas de milhares de servidores e reativação do sistema de controle de tráfego aéreo.

Horas depois, o acordo foi sancionado pelo presidente Donald Trump. A assinatura fará com que os funcionários federais voltem aos postos de trabalho nesta quinta, embora ainda não esteja claro quão rápido os serviços e operações governamentais serão totalmente retomados.

"Não podemos deixar isso acontecer de novo", disse Trump no Salão Oval durante a cerimônia de assinatura. "Não é assim que se governa um país."

O pacote foi aprovado por 222 votos a 209. O apoio de Trump foi decisivo para manter o Partido Republicano unido, apesar da forte oposição dos democratas, que protestaram contra o fato de o impasse iniciado no Senado não ter resultado em um acordo para estender os subsídios para saúde.

Aprovado pelo Senado na segunda (10), o projeto sancionado por Trump encerra oficialmente o shutdown de 43 dias. A medida estende o financiamento do governo até 30 de janeiro, mantendo o ritmo de expansão da dívida pública, que soma US$ 38 trilhões e cresce cerca de US$ 1,8 trilhão por ano.

Os serviços públicos devem ser restabelecidos nos próximos dias, enquanto as restrições ao tráfego aéreo serão gradualmente reduzidas.

Refletindo a expectativa pelo término do shutdown, a moeda americana avançou no exterior nessa quarta-feira, com o índice DXY, que mede o desempenho da divisa frente a outras seis moedas, subindo 0,55%, a 99.498 pontos.

Já o Ibovespa registrou leve queda de 0,07% nesta quarta, fechando praticamente estável a 157.632 pontos, pressionado principalmente pelo recuo das ações da Petrobras.

Os papéis da Petrobras pesaram sobre o pregão desta quarta e recuaram em virtude do temor de um excesso de oferta no setor petroleiro. As ações ordinárias da estatal caíram 2,99%, e as preferenciais, 2,53%.

A queda na valorização da estatal acompanha a do petróleo no exterior, onde os preços futuros do petróleo Brent caía quase 4%.

O movimento da commodity reflete um relatório da Opep, que apontou um pequeno superávit projetado para 2026, de 20 mil barris por dia (bpd) —uma mudança em relação à projeção anterior de déficit, que estimava queda de 50 mil bpd.

Segundo Otávio Araújo, consultor sênior da Zero Markets Brasil, a queda da Bolsa também reflete uma realização de lucros, ou seja, a venda de ações para efetivar ganhos. O recuo vem após a Bolsa renovar o recorde histórico por 12 dias consecutivos.

"O Ibovespa e outros índices internacionais tiveram ganhos importantes nas últimas sessões, o que uma hora ou outra gera movimentos de ajuste com vendas e gestão de risco por parte dos investidores", afirma.

Bernardo Viero, analista da Suno Research, concorda. "Em meio a ciclos, o mercado pode ter correções momentâneas de curto prazo após uma boa performance [da Bolsa]. Os resultados das empresas, porém, devem continuar puxando a Bolsa para cima".

O movimento também impacta o dólar, diz Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad. "A moeda americana tem um dia de ajuste. O movimento ocorre em meio à expectativa pela retomada dos indicadores econômicos dos Estados Unidos com o fim do shutdown, o que traz cautela aos mercados e leva investidores a reduzirem posições após a sequência de apreciação do real".

Para os mercados, o fim do shutdown guarda a promessa de normalização. A paralisação durou 43 dias, foi a maior da história e afetou a divulgação de dados econômicos essenciais para balizar as decisões de política monetária do banco central, como de inflação e de desemprego.

A falta de visibilidade sobre a temperatura da economia pode impedir a continuidade do ciclo de cortes de juros —possibilidade aventada pelo presidente do Fed, Jerome Powell, em entrevista coletiva após a reunião de outubro.

Segundo Leonel Mattos, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, o fim do shutdown deve permitir aos investidores melhor compreenderem a economia dos EUA. "A paralisação prejudicou a coleta de informações econômicas pelas agências que estavam fechadas, e elas devem retomar a publicação do que for possível", diz.

Fernanda Campolina, sócia da One Investimentos, afirma que a tendência é que, com o fim da paralisação, o Fed se sinta "mais confortável" para realizar novos cortes ainda em 2025, "o que favorece mercados emergentes como o Brasil".

No caso do Brasil, há ainda mais um fator que favorece os ativos domésticos: o diferencial de juros. Quando a taxa nos Estados Unidos cai e a Selic permanece em patamares altos, investidores se valem da diferença de juros para apostar na estratégia de "carry trade". Isto é: toma-se empréstimos a taxas baixas, como a americana, para investir em mercados de taxas altas, como o brasileiro.

Nesta quarta-feira, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, disse que a autarquia não apresentou em suas comunicações recentes nenhum sinal sobre o que fará com a taxa de juros no futuro, enfatizando que a política monetária seguirá dependente de dados.

"Todo mundo pode fazer a aposta que quiser, mas a gente vai continuar dizendo e fazendo as nossas reações de maneira bem clara, de que não há qualquer tipo de tergiversação sobre o que é o nosso mandato, que é perseguir a meta", disse, durante entrevista coletiva em São Paulo.

Ele também reforçou que o Copom não está enviando sinais ao mercado sobre o rumo da taxa de juros nesta tarde.

A ata da última reunião do Copom, divulgada na terça, mostrou que o comitê está mais convicto de que a manutenção da taxa básica de juros do país em 15% por tempo "bastante prolongado" será suficiente para levar a inflação à meta.

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