O Desenrola Adimplentes entra em operação nesta segunda-feira (10), mais de um mês depois de ter sido anunciado pelo governo federal. O programa é voltado a trabalhadores informais e autônomos, sem carteira assinada e sem benefícios previdenciários, e permite renegociar até R$ 15 mil em dívidas de crédito pessoal sem garantia. Os juros ficam limitados a 1,99% ao mês, bem abaixo da taxa média cobrada hoje nesse tipo de operação, que gira em torno de 7%.
Para entrar na linha, o cliente precisa ter quitado ao menos quatro parcelas do contrato original e estar com os pagamentos em dia ou com atraso inferior a 90 dias. A União poderá destinar até R$ 3 bilhões às operações, valor que se soma a recursos próprios das instituições financeiras: 70% do total virão do dinheiro público e 30% dos bancos participantes.
A estreia só veio agora porque o desenho original enfrentou resistência do setor bancário. Na versão inicial, apenas Caixa e Banco do Brasil poderiam comprometer capital próprio, inclusive em operações fechadas por concorrentes. A regra foi alterada pelo Conselho Monetário Nacional na última sexta-feira (7): agora qualquer instituição habilitada pode combinar recursos próprios com o aporte federal, enquanto os dois bancos públicos atuam principalmente como repassadores das verbas. Também pesou a inclusão de clientes com atraso de até 89 dias, faixa em que o provisionamento exigido dos bancos ainda é menor.
A Febraban, que antes projetava adesão limitada, avaliou em nota que o formato final ganhou previsibilidade operacional, embora a decisão de participar siga individual de cada banco. Entre os privados, o cenário ainda é indefinido: o Bradesco sinalizou distância do programa, o Itaú estuda atender clientes com atraso curto e o Santander segue analisando. Integrantes do governo afirmam que ao menos duas grandes instituições já demonstraram disposição de aderir.



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