Início Economia Desembolsos do BNDES caem 17% no 1º semestre, para R$ 27,7 bi
Economia

Desembolsos do BNDES caem 17% no 1º semestre, para R$ 27,7 bi

RIO - Os desembolsos do BNDES continuaram a cair no semestre, embora em ritmo menor. Foram liberados R$ 27,7 bilhões, recuo de 17% em relação aos seis meses do ano passado. No primeiro trimestre, houve retração de 26%. A queda no semestre foi espalhada entre todos os setores, especialmente indústria (27%) e comércio e serviços (21%).

No mês, os desembolsos somaram R$ 5,529 bilhões. O valor é levemente menor que o registrado em junho de 2017 (R$ 5,796 bilhões), mas bem abaixo do registrado em maio, quando ficou em R$ 7 bilhões: uma queda de 21%.

O setor de infraestrutura liderou as liberações de recursos: 39,7% do crédito liberado, ou R$ 11 bilhões, foram para clientes dessa área. As micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) avançaram na fatia dos recursos recebidos: nos últimos seis meses, elas receberam R$ 13,5 bilhões — 48,6% do total desembolsado. No mesmo período de 2017, as liberações para esse grupo de empresas volume semelhante (R$ 13,3 bilhões), mas a cifra correspondeu a uma fatia menor (39,7%).

As consultas, primeira etapa do financiamento do banco e que indica a disposição de o empresariado investir, inverteram a tendência de queda e subiram 4% no semestre ante igual período de 2017. Nos primeiros seis meses do ano, elas somaram R$ 49,7 bilhões.

O valor acumulado até março apresentava queda de 36%. Mas ainda é difícil saber se há uma retomada sustentável a partir da análise dos números: o volume de consultas subiu em abril e maio, mas voltou a cair em junho.

Mês passado, as consultas totalizaram R$ 7, 738 bilhões, abaixo dos meses anteriores (R$ 12,6 bilhões em maio e R$ 15,6 bilhões em abril). A cifra também é menor que a registrada em junho de 2017, quando alcançou pouco mais de R$ 10 bilhões.

No acumulado até junho, o setor de infraestrutura ficou com a maior fatia (38,9% do total). Entre os destaques está o segmento ferroviário, que apresentou aumento de 427% ante os primeiros seis meses de 2017.

Diante do cenário ruim para a indústria, o BNDES prepara um novo produto de financiamento direto para compra de máquinas e equipamentos destinados a médias e grandes empresas, o BNDES Finame Direto. Pelo novo produto, as empresas terão limites de crédito individualizados e pré-aprovados, em um mecanismo semelhante ao que os bancos de varejo disponibilizam aos clientes mediante análises de risco antecipadas.

O valor mínimo do crédito do BNDES Finame Direto será de R$ 10 milhões por operação. Os recursos serão liberados no prazo de até dois anos, a contar da data de assinatura do contrato, e deverão ser aplicados na aquisição ou na produção de bens de capital nacionais.

Os prazos de carência e amortização serão selecionados pela própria empresa a cada pedido de liberação, tendo como base uma lista de opções previamente definidas, cada uma com uma remuneração associada. Não será necessária uma definição de quantos ou de quais equipamentos deverão ser adquiridos.

Durante o mês de agosto, o produto estará em piloto para testes, sobretudo no que diz respeito a um novo portal de operações que será lançado pelo BNDES. A partir de setembro, o produto BNDES Finame estará aberto a todos os interessados em pleitear financiamento.

Siga-nos no

Google News
Quer receber todo final de noite um resumo das notícias do dia?