SÃO PAULO - A derrota sofrida no Senado americano pelo presidente dos Estados Unidos e a ausência de notícias negativas no campo político fizeram o dólar comercial voltar a cair nessa terça-feira. A moeda americana recuou 0,75% ante o real, a R$ 3,158, o menor valor desde 17 de maio - nessa data, à noite, foi revelado a delação da JBS. Na B3 (ex-BM&FBovespa e Cetip), o Ibovespa, principal índice do mercado brasileiro de ações, registrou leve alta de 0,19%, aos 65.337 pontos.
Do lado externo, contribuiu para o enfraquecimento do dólar a derrota que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sofreu ao não conseguir os votos necessários para aprovar o fim do “Obamacare“, uma de suas promessas de campanha. O entendimento é que ele pode não ter força política para aprovar outras promessas de campanha, como o aumento de investimentos no setor de infraestrutura e uma reforma fiscal. O “dollar index”, que mede o comportamento do dólar frente a uma cesta de dez moedas, caía 0,51% próximo ao horário de encerramento dos negócios no Brasil. O dólar em relação ao euro chegou a menor cotação dos últimos dez meses.
Internamente, o recesso do Congresso Nacional logo após a aprovação da reforma trabalhista tranquilizou os ânimos dos investidores, uma vez que a volatilidade tende a cair na ausência de novos fatos na política.
— O start para a queda do dólar nesse período recente foi a aprovação da reforma trabalhista. Além disso, tem a ausência de notícias políticas (com o recesso do legislativo) e o enfraquecimento do governo americano — avaliou Felipe Pellegrini, gerente de tesouraria do grupo Confidence.
Na avaliação de Cleber Alessie, operador da corretora H.Commcor, os fatores internos e externos fazem com que o dólar seja negociado a um patamar abaixo do que os fundamentos econômicos permitem.
— São vários fatores que se somam e contribuem para essa queda. Tudo isso trouxe o dólar para um patamar que não condiz com nossa realizada. O nosso lado fiscal continua quebrado. Isso não mudou — avaliou.
As ações mais negociadas do Ibovespa apresentam uma recuperação no período da tarde. As preferenciais (PNs, sem direito a voto) da Petrobras subiram 0,38%, cotadas a R$ 12,94. No caso das ordinárias (ONs, com direito a voto), a valorização foi de 1,11%, a R$ 13,60. O petróleo do tipo Brent passou a subir 0,74%, a US$ 48,78 o barril, o que também contribui para a valorização dos papéis da estatal.
Os bancos, de maior peso na composição do índice, operaram com leves ganhos. As preferenciais do Itaú Unibanco e do Bradesco sobem, respectivamente, 0,10% e 1,25%. No caso do Banco do Brasil, a alta foi de 0,06%.
Ainda no mercado de ações, os investidores estão atentos à precificação do IPO (abertura de capital) do Carrefour Brasil. A demanda pelas ações da empresa, ontem, era de quase duas vezes a oferta. O preço mínimo do papel foi fixado em R$ 15 e o teto é de R$ 19. Essa abertura de capital, assim como outras três ofertas de ações que estão em curso, também ajudam a trazer recursos para o país, contribuindo para a queda do dólar, mas é algo pontual.

