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Decisão de Trump deixa aéreas sob 'extrema pressão', diz Iata

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BRUXELAS, BÉLGICA (FOLHAPRESS) - A decisão dos EUA de banir a entrada de não residentes e estrangeiros vindos da zona Schengen (que reúne 26 países europeus) vai provocar prejuízos bilionários e levar a falências se não houver intervenção dos governos, afirmou nesta quinta (12) a Iata, associação do setor aéreo. Segundo o diretor-geral da Iata, Alexandre de Juniac, as companhias aéreas já estão "sob extrema pressão financeira e operacional" e a decisão do presidente Donald Trump, justificada como forma de reduzir o contágio por coronavírus, as deixa ainda mais fragilizadas. No ano passado, houve 200 mil voos entre os EUA e os países da Schengen, levando 46 milhões de passageiros. O tráfego médio foi de 550 voos e 125 mil passageiros por dia. O faturamento total das viagens entre EUA e os países da Schengen foi de US$ 20,6 bilhões (R$ 103 bilhões) em 2019. A Iata não fez previsões sobre qual pode ser a perda causada pela epidemia e pela proibição de viagens. "A pressão sobre o fluxo de caixa será enorme. Já vimos a falência da Flybe, e essa medida recente empurra todos para o mesmo caminho. As aéreas precisam de medidas de emergência para ultrapassar essa crise", afirma Juanic, ressaltando que o setor emprega 2,7 milhões de pessoas no mundo. Empresas que não tiverem caixa não vão sobreviver à crise do coronavírus sem ajuda do governo, afirmou à reportagem o especialista em setor aéreo Michael Duff, diretor da The Airline Analyst. Segundo ele, as grandes companhias, como Air France ou British Airlines, têm caixa e recursos operacionais para ultrapassar a tempestade, desde que ela dure no máximo seis meses. Empresas regionais, porém, estão sob risco severo, segundo Duff. O analista diz que nenhuma das crises que ele já acompanhou -entre elas a Guerra do Golfo, o 11 de Setembro, a epidemia de Sars e a crise global de 2008- se compara à atual em termos de impacto sobre o setor aéreo. Entre as propostas da Iata para socorro ao setor estão a extensão de linhas de crédito, a redução de custos de infraestrutura e a redução de tributos. Ainda que os EUA reconheçam a necessidade de manter o transporte de carga, os prejuízos da proibição de viagens de passageiros será extenso, e não apenas para as companhias aéreas, diz o comunicado da Iata. "Em tempos normais, o transporte aéreo é um catalisador de crescimento econômico e desenvolvimento. Suspender viagens em escala tão ampla terá impacto em toda a economia", disse Juniac. O setor já vinha sofrendo com os efeitos da pandemia, que começou no final do ano passado na China. Até 5 de março, segundo a Iata, as perdas de receita chegavam a US$ 113 bilhões (cerca de R$ 560 bilhões), estimativa que não levava em conta o banimento anunciado pelos EUA e outros países desde então. O mercado entre EUA e Reino Unido, que continua aberto, levou 17 milhões de passageiros, cerca de um terço do atingido pela restrição americana. Os impactos em termos absolutos devem ser mais fortes nas rotas com a Alemanha (US$ 4 bi em 2019), França (US$ 3,5 bi) e Itália (US$ 2,9 bi). A decisão de Trump pode afetar até 18 milhões de passageiros, volume nessas três rotas no ano passado. Em termos proporcionais, os países europeus mais expostos ao banimento são a Islândia, que tem 17,1% de seu tráfego aéreo com os EUA, a Holanda (6,5%) e a França (5,2%). A A4E, associação das maiores companhias aéreas europeias (representando 70% do tráfego aéreo), afirmou à reportagem que ainda é cedo para prever prejuízos, mas que o mercado americano é um dos prinicipais para a maioria das empresas do continente. A entidade encaminhou à Comissão Europeia (Poder Executivo do bloco) uma lista de medidas que considera indispensáveis para aliviar a crise no setor. Entre elas estão o adiamento da nova taxa de aviação da UE, regras claras sobre direitos dos passageiros em casos de cancelamento e a aprovação imediata de novas regras sobre a ocupação de slots. A regra atual, que a UE afirmou que vai suspender, exige que as aéreas usem 80% dos intervalos de tempo atribuídos, a fim de mantê-los na temporada seguinte. Isso estava obrigando as companhias a realizer "voos fantasmas", sem passageiros, para não perder os slots. Nesta quinta, a empresa de baixo custo Norwegian Air Shuttle afirmou que deixará em solo 40% de seus voos e colocará 50% da equipe em lay-off (trabalho suspenso com rendimentos reduzidos) por causa da medida americana. A Iata afirma ainda que a Organização Mundial do Comércio condena a restrição de viagens durante surtos de doença. As ações das grandes companhias europeias e americanas despencaram nesta quinta, com quedas que variaram de 8%, no caso da American Airlines, para 16%, no caso da United Airlines. Segundo a US Travel Association, viajantes que chegam da Europa representam 29% de todas as chegadas internacionais em aeroportos americanos. A associação diz que empregos de 15,7 milhões de americanos dependem do setor, que será prejudicado pelo impacto da medida.

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