BUENOS AIRES - A primeira tentativa de debate do projeto de reforma da Previdência enviado pelo governo do presidente argentino, Mauricio Macri, ao Congresso terminou em escândalo nesta quinta-feira. Após violentos incidentes do lado de fora do Parlamento, que terminaram com deputados, jornalistas e policiais feridos, o presidente da Câmara, Emilio Monzó, optou por suspender a sessão, apesar de contar com o quórum de 129 deputados.
Segundo explicou o chefe de gabinete, Marcos Peña, o governo “não vai cair na provocação e na violência de uma minoria muito minoritária” e não fará modificações ao projeto. O ministro disse que foi suspensa a sessão para “explicar à população que a violência e agressividade não partem do governo e sim dos que querem impedir uma reforma boa para todos os argentinos”.
- Temos certeza de que esta reforma é necessária e vamos retomar o debate nos próximos dias - declarou Peña.
A oposição, essencialmente o kirchnerismo, acusa Macri de querer aplicar um ajuste aos aposentados. Nesta quinta, o chefe de gabinete assegurou que “com esta reforma as aposentadorias terão um aumento em 2018 até 5% acima da inflação”.
Na última quarta-feira, a discussão sobre o projeto macrista, que conta com o respaldo de setores do peronismo não kirchnerista, terminou em fortes agressões verbais e também físicas entre deputados.
A reforma defendida pela Casa Rosada modifica a metodologia de cálculo das aposentadorias e, segundo opositores, implicará, a médio e longo prazo, em remunerações mais baixas. Também estabeleceu-se a alternativa, voluntária, de aposentadoria aos 70 anos. Atualmente, os homens se aposentam com 65 e as mulheres com 60. O termo voluntário é relativo, já que quem não se retirar aos 70 receberá uma aposentaria menor.
Segundo economistas, a reforma indexa o reajuste das aposentadorias à inflação e não mais à arrecadação e isso permitirá ao governo continuar reduzindo o déficit fiscal, já que quando a arrecadação subir as aposentadorias não subirão com o mesmo ritmo.

