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Correção: ComBio capta R$ 200 mi junto ao Santander em operação amparada pelo Eco Invest

Estadão

A matéria enviada anteriormente trazia um erro. A ComBio corrigiu a informação sobre a alavancagem da empresa no terceiro parágrafo sendo 2,5 vezes a dívida líquida/Ebitda, e não 3 como escrito anteriormente. Segue novamente o texto com a devida correção.

A ComBio, empresa especializada em soluções de energia térmica renovável, que tem faturamento próximo a R$ 1 bilhão, acaba de fazer uma emissão de debêntures por meio da qual captou R$ 200 milhões junto ao Santander. A operação está enquadrada no eixo de Transição Energética do Eco Invest, um programa do Tesouro Nacional cujo objetivo é impulsionar investimentos privados sustentáveis e atrair capital externo para projetos de longo prazo no Brasil.

Na prática, o Santander tomou recursos junto ao Tesouro Nacional por meio de um leilão do Eco Invest, com custo subsidiado, e repassou à ComBio, na modalidade Blended Finance. Isso significa que para cada real captado do Tesouro, o banco espanhol aportou outros R$ 6. O custo do financiamento ficou em CDI mais 0,8%, muito abaixo dos valores de mercado atuais. O financiamento tem carência de dois anos e prazo de cinco anos.

"O momento é muito oportuno para quem ataca a descarbonização", afirma Estevão Mestres, CFO da ComBio, citando outras linhas em que projetos de investimento sustentáveis estão encontrando recursos a custo inferior aos patamares de mercado. De olho nessa oportunidade a ComBio deve ir a mercado novamente nos próximos meses. Atualmente, e empresa tem alavancagem de 2,5 vezes a dívida líquida/Ebitda.

Investimentos

Os recursos captados pela ComBio junto ao Santander são destinados à implantação de unidades de geração de vapor industrial - caldeiras - a partir de queima de biomassa, que irão substituir sistemas movidos a combustíveis fósseis. Esse é o negócio da ComBio, que entre seus clientes tem a Klabin, Companhia Brasileira de Alumínio e Grupo Petrópolis.

Pelo seu modelo de negócios, a empresa faz contratos de cerca de 15 anos pelos quais é responsável por 100% do capex da transição energética. Com isso, ela é a dona e a responsável pelas caldeiras e torna-se uma fornecedora do vapor para a empresa com quem fecha o contrato. A ComBio instala e opera o equipamento, escolhe, compra e armazena a biomassa, além de fazer toda a manutenção da caldeira e instalações.

"É uma segunda planta que funciona junto à empresa cliente", explica o diretor de Tecnologia, Gilberto Rozenchan, enquanto demonstra o funcionamento da Unidade de Produção de Vapor (UPV) da ComBio em Mogi Guaçu. Essa unidade opera para garantir o fornecimento de vapor à Ingredion Brasil, multinacional de alimentos, e possui 25 mil metros quadrados.

Triplicar

A emissão de debêntures vem no sentido de ajudar a viabilizar a meta da empresa, que é triplicar de tamanho até 2030. A oportunidade de acelerar o crescimento da ComBio, que nasceu em 2008, veio principalmente com a aprovação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE). A lei regulamenta o mercado nacional de carbono e estabelece limites de emissões para grandes empresas, além de criar cotas comercializáveis, onde quem emite menos pode vender seus certificados para quem exceder as metas.

"Apoiar nossos clientes na transição para uma economia de baixo carbono é uma das prioridades da nossa estratégia de sustentabilidade. Com esta operação apoiamos soluções capazes de promover a descarbonização da indústria brasileira", afirma Leonardo Fleck, head de Sustentabilidade do Santander Brasil.

Segundo Rozenchan, a troca de uma caldeira a gás por um equipamento movido a biomassa pode reduzir as emissões de uma empresa em 95%. Isso porque sobra o uso de diesel em caminhões e pás carregadeiras, que movimentam a biomassa. Ainda assim, o diretor executivo Comercial e de Marketing da ComBio, Mauricio Morais, conta que a maioria das empresas não percebeu a importância que a adoção da caldeira a biomassa pode ter para o cumprimento das metas de emissão. "O mais perceptível é a economia financeira que gira ao redor de 30%", afirma.

Ele explica, no entanto, que seus maiores concorrentes são os potenciais clientes. Muitas vezes as empresas dos mais diversos setores, que estão acostumadas a operar suas caldeiras a gás, avaliam que serão capazes de se responsabilizar também pela operação de uma caldeira a biomassa. Rozenchan ressalta que a complexidade do sistema a biomassa é "muito maior" e exige expertise desde a seleção dos insumos para a queima, escolha de fornecedores, até a implantação e operação das instalações, que são cerca de oito vezes maiores do que as similares movidas a gás.

Como exemplo, conta que para analisar as características da biomassa que utiliza, a ComBio foi obrigada a criar um laboratório próprio. Inicialmente, essa avaliação era feita pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), mas foi necessário ganhar agilidade. Atualmente, o laboratório da ComBio presta serviços a terceiros.

A ComBio é investida dos fundos SPX Capital, do Brasil, e Lightrock, europeu. Em janeiro de 2025, houve a entrada de duas instituições financeiras de desenvolvimento europeias: a alemã DEG e a francesa Proparco. Os aportes foram realizados por meio de veículos de co-investimento vinculados à SPX Capital e à Lightrock, respectivamente.

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